Dois jovens empreendedores de Franca transformaram criatividade, coragem e muita disposição em uma iniciativa que vem chamando atenção de motoristas no Residencial Amazonas, em frente ao Atacadão.
Marcos Ângelo Bueno, de 19 anos, e o sócio Arthur Gomes, de 17, decidiram que não iriam esperar por investidores para tirar do papel a empresa de tecnologia e impacto social que sonham construir. Sem recursos para começar, encontraram uma saída improvável: vender paçocas no semáforo para arrecadar o valor necessário para registrar e estruturar o negócio.
Segundo Marcos, que conversou com a reportagem, a ideia surgiu de forma despretensiosa, em uma conversa na sala de casa. “A gente queria empreender, mas não tinha dinheiro. Tentamos investidores, mas ninguém apostou. Então pensamos: por que não vender no semáforo?”, conta.
Sem vergonha e determinados a fazer a ideia acontecer, colocaram o plano em prática. Hoje, todos os dias, eles abordam motoristas com simpatia e leveza: “Oi chefe, tudo bem? Posso falar um minutinho? Eu sou o Marcos, esse é o Arthur, e estamos vendendo paçoca para criar nossa empresa de tecnologia.”
A estratégia para facilitar as doações também virou um diferencial: o chamado Pix da Confiança. O motorista leva a paçoca mesmo na correria e pode fazer o pagamento depois, com calma. “A gente percebeu que no semáforo é tudo muito rápido, às vezes a pessoa não consegue pegar o dinheiro. Então criamos o Pix da Confiança: leva, dá paçoca pra família inteira, e quando chegar em casa, se achar que deve, ajuda a gente”, explica Marcos.
Segundo ele, a ideia deu tão certo que muitas pessoas contribuem mais pelo propósito do que pelo produto. “Tem gente que fala ‘não gosto de paçoca, mas vou ajudar porque vocês são inspiradores’. Isso motiva demais.”
Nem todas as abordagens dão resultado - alguns motoristas não abrem o vidro, outros seguem sem entender muito bem a proposta. Mas a receptividade geral tem sido positiva. “A maioria acha muito bacana, se inspira e incentiva a gente. Nosso clima é sempre leve, sempre com sorriso, brincando que a pessoa pode doar ‘de 10 a 1 milhão’, porque o importante é estar ali, tentando”, diz o jovem.
O valor arrecadado será usado para formalizar a empresa, desenvolver a tecnologia e dar início ao projeto que, segundo eles, pretende unir inovação digital com ações que aproximem e conectem pessoas.
Enquanto isso não acontece, Marcos e Arthur seguem no semáforo diariamente, confiantes de que esforço e persistência vão transformar o sonho em realidade. “É só o começo”, garante Marcos.
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