'VAI PELA SOMBRA'

Censo IBGE: 17,8 mil francanos vão a pé para o trabalho

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Sampi/Franca
Hevertom Talles/GCN
Movimentação no calçadão da rua Voluntários da Franca, no Centro da cidade
Movimentação no calçadão da rua Voluntários da Franca, no Centro da cidade

Em uma cidade dominada pelo transporte motorizado, um dado do Censo Demográfico de 2022 chama a atenção: 17.892 trabalhadores em Franca utilizam as próprias pernas como principal meio de locomoção para chegar ao trabalho. O levantamento, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que o número de pessoas que vão a pé para o serviço é superior à soma dos usuários de ônibus (12.628) e bicicleta (7.717) na cidade.

Para muitos desses caminhantes, a escolha é uma mistura de economia, praticidade e bem-estar. “Moro a uns 15 minutos do centro, onde trabalho. Para mim, ir a pé é a melhor opção. Economizo o dinheiro do ônibus ou da gasolina, que faz uma diferença enorme no fim do mês, e ainda evito o estresse de procurar vaga para estacionar. Já estou acostumada com isso”, conta a vendedora Maria Cristina da Silva, de 45 anos.

A percepção de qualidade de vida também é um fator decisivo. “Escolhi morar perto da escola onde dou aula justamente para ter essa facilidade. A caminhada de manhã me ajuda a organizar as ideias para o dia, e na volta é uma forma de desligar dos problemas. Além da saúde, sinto que observo mais a cidade, os comércios, as pessoas. É uma forma de começar e terminar o dia com mais calma, fugir da correria do dia a dia”, relata o professor Carlos de Oliveira, de 38 anos.

Apesar da expressividade do deslocamento a pé, o automóvel particular continua sendo a opção dominante para a maioria da força de trabalho francana, composta por 141.282 pessoas. Segundo o censo, 72.253 trabalhadores (cerca de 51%) utilizam o carro diariamente, consolidando-o como o principal vetor da mobilidade urbana local. A motocicleta aparece como a segunda escolha motorizada mais popular, com 25.078 usuários.

Perfil e tempo de deslocamento

O raio-X do trabalhador francano revela uma força de trabalho majoritariamente masculina (78.758 homens contra 62.472 mulheres) e com um nível de escolaridade concentrado no Ensino Médio completo ou Superior incompleto, grupo que abrange 64.269 pessoas.

O tempo gasto no trajeto reflete a escolha do meio de transporte. A maioria dos trabalhadores, 56.170 pessoas, leva entre 15 e 30 minutos para chegar ao emprego. Outros 49.043 fazem o percurso em um tempo de seis a quinze minutos. Somados, os que levam até meia hora no trânsito representam mais de 84% da força de trabalho da cidade.

O Censo também apontou um recorte racial na mobilidade: enquanto a população branca é maioria no uso de automóveis, motocicletas e outros transportes individuais, o uso de bicicleta e ônibus é mais frequente entre a população preta e parda.

Confira os dados detalhados:

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Comentários

2 Comentários

  • Dante Carlos Junior 17/10/2025
    Eis a prova real de que Subsidiar o transporte público é errôneo. Este dinheiro público poderia ser gasto com Saúde, Educação e Infraestrutura. O Poder executivo teve a oportunidade de melhorar o Transporte Público e optou pelo SUBSÍDIO! Não haverá DEMANDA! Os problemas continuarão. Simples assim... Dinheiro público jogado fora.
  • Matheus Silva 17/10/2025
    17 mil pessoas a pé e 12 mil de ônibus é muito pouco. O número de automóveis em Franca é muito alto, o que é péssimo para o meio ambiente e para as pessoas. É preciso investir em transporte público de qualidade e na infraestrutura das calçadas, que estão em péssimo estado. Também é necessário criar leis que incentivem a pedonalidade e a densidade urbana de uso misto, aproximando as pessoas do local de trabalho. É fundamental reduzir gradualmente o espaço destinado aos carros e devolver a cidade às pessoas, como vem sendo feito em várias cidades desenvolvidas, como Paris e Amsterdã. No Brasil, as leis ainda incentivam a cultura carrocentrista desde a década de 1950. As cidades brasileiras foram moldadas para os automóveis, tornando-se espaços hostis. É preciso humanizar os espaços urbanos e acabar com a exigência de vagas de estacionamento.