Em uma cidade dominada pelo transporte motorizado, um dado do Censo Demográfico de 2022 chama a atenção: 17.892 trabalhadores em Franca utilizam as próprias pernas como principal meio de locomoção para chegar ao trabalho. O levantamento, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra que o número de pessoas que vão a pé para o serviço é superior à soma dos usuários de ônibus (12.628) e bicicleta (7.717) na cidade.
Para muitos desses caminhantes, a escolha é uma mistura de economia, praticidade e bem-estar. “Moro a uns 15 minutos do centro, onde trabalho. Para mim, ir a pé é a melhor opção. Economizo o dinheiro do ônibus ou da gasolina, que faz uma diferença enorme no fim do mês, e ainda evito o estresse de procurar vaga para estacionar. Já estou acostumada com isso”, conta a vendedora Maria Cristina da Silva, de 45 anos.
A percepção de qualidade de vida também é um fator decisivo. “Escolhi morar perto da escola onde dou aula justamente para ter essa facilidade. A caminhada de manhã me ajuda a organizar as ideias para o dia, e na volta é uma forma de desligar dos problemas. Além da saúde, sinto que observo mais a cidade, os comércios, as pessoas. É uma forma de começar e terminar o dia com mais calma, fugir da correria do dia a dia”, relata o professor Carlos de Oliveira, de 38 anos.
Apesar da expressividade do deslocamento a pé, o automóvel particular continua sendo a opção dominante para a maioria da força de trabalho francana, composta por 141.282 pessoas. Segundo o censo, 72.253 trabalhadores (cerca de 51%) utilizam o carro diariamente, consolidando-o como o principal vetor da mobilidade urbana local. A motocicleta aparece como a segunda escolha motorizada mais popular, com 25.078 usuários.
Perfil e tempo de deslocamento
O raio-X do trabalhador francano revela uma força de trabalho majoritariamente masculina (78.758 homens contra 62.472 mulheres) e com um nível de escolaridade concentrado no Ensino Médio completo ou Superior incompleto, grupo que abrange 64.269 pessoas.
O tempo gasto no trajeto reflete a escolha do meio de transporte. A maioria dos trabalhadores, 56.170 pessoas, leva entre 15 e 30 minutos para chegar ao emprego. Outros 49.043 fazem o percurso em um tempo de seis a quinze minutos. Somados, os que levam até meia hora no trânsito representam mais de 84% da força de trabalho da cidade.
O Censo também apontou um recorte racial na mobilidade: enquanto a população branca é maioria no uso de automóveis, motocicletas e outros transportes individuais, o uso de bicicleta e ônibus é mais frequente entre a população preta e parda.
Confira os dados detalhados:

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Comentários
2 Comentários
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Dante Carlos Junior 17/10/2025Eis a prova real de que Subsidiar o transporte público é errôneo. Este dinheiro público poderia ser gasto com Saúde, Educação e Infraestrutura. O Poder executivo teve a oportunidade de melhorar o Transporte Público e optou pelo SUBSÍDIO! Não haverá DEMANDA! Os problemas continuarão. Simples assim... Dinheiro público jogado fora. -
Matheus Silva 17/10/202517 mil pessoas a pé e 12 mil de ônibus é muito pouco. O número de automóveis em Franca é muito alto, o que é péssimo para o meio ambiente e para as pessoas. É preciso investir em transporte público de qualidade e na infraestrutura das calçadas, que estão em péssimo estado. Também é necessário criar leis que incentivem a pedonalidade e a densidade urbana de uso misto, aproximando as pessoas do local de trabalho. É fundamental reduzir gradualmente o espaço destinado aos carros e devolver a cidade às pessoas, como vem sendo feito em várias cidades desenvolvidas, como Paris e Amsterdã. No Brasil, as leis ainda incentivam a cultura carrocentrista desde a década de 1950. As cidades brasileiras foram moldadas para os automóveis, tornando-se espaços hostis. É preciso humanizar os espaços urbanos e acabar com a exigência de vagas de estacionamento.