GAZETILHA

Revolta compreensível, violência inaceitável

Por Corrêa Neves Jr. | Editor do GCN/Sampi
| Tempo de leitura: 6 min

"Quem luta contra monstros deve ter o cuidado de não se tornar um deles"
Nietzsche, filósofo e filólogo alemão

Não tinha muito como ser diferente, nem menos lamentável. Quando aqueles que têm o poder de decidir ficam encastelados, ignoram a opinião pública e agem sem levar em conta os impactos de suas ações naqueles que são afetados por elas, nunca o desfecho é bom. Sobram exemplos na história do mundo de episódios assim, da Revolução Francesa à Primavera Árabe, para ficar em apenas dois.

Neste último sábado, 29, a praça Nossa Senhora da Conceição, em Franca, foi palco de uma versão “mini pocket-soft” destes eventos, quando servidores públicos que protestavam contra o reajuste salarial concedido pela prefeitura cruzaram com a vereadora Lindsay Cardoso (PP). O que era uma manifestação legítima rapidamente se transformou num constrangimento inaceitável, com direito a vereadora fugindo do grupo enquanto era perseguida e acuada como se fosse uma criminosa, em meio a ofensas e quase-agressão física. Triste, para dizer o mínimo.

O “quiproquó” na praça é resultado direto da forma com que agiram a Prefeitura e a Câmara de Franca na sempre complexa negociação do reajuste dos servidores públicos municipais de Franca, somada à falta de mínimo senso de quem confunde manifestação com agressão.

O problema começou quando a prefeitura se recusou a negociar e, contando com a inexperiência flagrante de alguns vereadores, impuseram juntos o reajuste limitado à reposição inflacionária, à revelia da decisão da assembleia da categoria, na votação do projeto de lei que transformaria em realidade esta receita indigesta.

Ainda tiveram juntos, Prefeitura e Câmara, a “brilhante” ideia, gestada sabe-se lá por quantas mentes tão míopes quanto perturbadas, de aproveitar para conceder a si mesmos um novo benefício: cartão-alimentação para o prefeito, vice-prefeito e secretários municipais (no valor mensal de R$ 1.036,00 para cada um) e também para os vereadores (agraciados com R$ 1.900,00 cada todo mês). Tudo sem nenhuma discussão prévia com a população.

Assim, os mesmos vereadores que disseram que tudo que Franca podia fazer pelos servidores era conceder um aumento de 4,87% (exatamente a inflação do período), mesmo depois de rejeitar todas as tentativas de melhorar um pouquinho que fosse o índice, resolveram aprovar, na mesma sessão, benefícios para seus integrantes do primeiro escalão.

É óbvio que qualquer aumento de R$ 50 para os servidores (que são mais de cinco mil) tem um impacto muito maior do que o benefício de R$ 1.036 aprovado para pouco mais de 10 pessoas na prefeitura e de R$ 1.900 para os 15 vereadores. Ninguém é burro e a conta é óbvia. Mas não se trata de matemática e, sim, de psicologia. Não é planilha de Excel, mas ausência de respeito. Não é questão de ser o benefício justo ou injusto, mas de mínima conveniência. Ninguém engole fácil uma humilhação dessas.

Os ânimos, que já estavam exaltados, explodiram. O “estado de greve” da categoria ganhou força, com paralisações que começam a atingir a população. Os vereadores, como era óbvio que aconteceria, se tornaram os alvos preferenciais nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp. É amargo, mas tudo parte do jogo democrático.

O que não faz parte é o que houve na manhã de sábado na praça Nossa Senhora da Conceição, durante o protesto que reuniu algumas dezenas de servidores. Gritar palavras de ordem, exigir respeito, criticar o prefeito e os vereadores é atitude legítima. Fazer o que fizeram com a vereadora Lindsay Cardoso passa longe disso. É inaceitável.

Há que se considerar que, antes de vereadora, Lindsay Cardoso é uma cidadã, com os mesmos direitos e responsabilidades que pesam sobre qualquer um de nós. Ela estava na praça, numa feira de animais para adoção, o que é direito dela. Lindsay não estava xingando ninguém, ofendendo quem quer que seja e muito menos transgredindo alguma lei.

Subitamente, ela foi cercada pelos manifestantes, que passaram a “exigir” respostas dela. Não foi exatamente uma cobrança diplomática e muito menos um convite ao diálogo. Em nenhum instante foi uma conversa propositiva, ainda que dura, mas sim um ataque. A vereadora, cercada, se assustou e correu em busca de abrigo, no que foi perseguida pela turba enfurecida. Numa das cenas mais tristes da política francana dos últimos tempos, ela literalmente se escondeu numa loja e só conseguiu sair de lá numa viatura da Guarda Municipal.

Nas muitas discussões que se sucederam ao ocorrido, sobraram “explicações” e justificativas, a maior parte delas estapafúrdias e desarrazoadas. Há quem diga que o local era público, ela é vereadora e deve explicações, como se por ter sido eleita tivesse renunciado ao direito de existir como pessoa. Outros apontam que como “eleita” ela é paga com dinheiro público, fruto da arrecadação de impostos que sai do bolso do contribuinte e, por isso, em última instância, ela seria “empregada” deles, que poderiam exigir explicações a qualquer hora. É argumento tão válido quanto sustentar que os servidores, que também são pagos com dinheiro púbico, poderiam ser cobrados pelas pessoas até numa pizzaria, por exemplo. Não cola, e muito menos é justo. Nem para os servidores, nem para a vereadora.

É preciso urgentemente parar com esta ladainha, crescente no Brasil, de imaginar que alguém, por ter sido eleito, é um legítimo saco de pancadas obrigado a ouvir toda e qualquer ofensa, em qualquer lugar, sob qualquer justificativa. Há limites, para tudo.

Cobrar a vereadora Lindsay Cardoso, e todos os seus colegas que votaram no mesmo sentido, é direito do Sindicato do Servidores, de seus associados e de quem se sentiu atingido. Que façam isso no plenário da Câmara, nas redes sociais, numa reunião, com a  devida firmeza mas sem desrespeitos de qualquer espécie. E que nos momentos privados como o passeio na praça da vereadora, ou a ida um restaurante, a um evento, de um outro vereador, do prefeito, ou de um secretário municipal, haja respeito e consideração, sob risco de os manifestantes perderem o apoio que a causa merece.

Sobre o reajuste dos servidores propriamente dito, muitas lições precisam ser assimiladas. A democracia é um sistema organizado a partir dos pesos e contrapesos dos poderes constituídos, exatamente para evitar abusos e arbítrios. Essa desculpa de alguns vereadores de que votaram para “impedir” que a categoria “perdesse” benefícios como faltas abonadas e o cartão-alimentação é conversa para boi dormir. Considerar como válidos tais argumentos é o mesmo que dizer que jamais haverá negociação, porque basta o prefeito, quem quer que seja ele, não arredar pé da proposta inicial, esperar meados de março e então enviar para a Câmara o projeto de reajuste sem acordo. Verá aprovado exatamente o que quer. Outras ideias, como incluir previsão de  orçamento na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) igualmente não resolvem nada.

Se os vereadores discordam do que o prefeito propõe, que votem “não”. Discutam com os servidores, apresentem as opções e os riscos, cobrem do presidente do Sindicato a assertividade  e a clareza que tantas vezes lhes faltam e manifestem no plenário sua concordância ou discordância com o projeto em discussão. Sem inocência, sem confusões, de acordo com sua consciência e valores, e sem desculpas. O resto, é só tentar apagar fogo com gasolina. Serve para coisa alguma além de piorar o incêndio. 

Corrêa Neves Jr é jornalista, diretor do portal GCN, da rádio Difusora de Franca e CEO da rede Sampi de Portais de Notícias.

 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

19 Comentários

  • Adilson 3 dias atrás
    Um pequeno questionamento! A tal vereadora sempre usou da prerrogativa de cuidar dos animais e no mesmo local para pedir foto e s eleger vereadora, estaria ela ali em qual função ? Cuidando dos animais ou mantendo a imagem de vereadora ? Desde seus primeiros passos na política ele usou desse espaço para pedir votos, então acredito que a mesma tem que ser cobrada pelos atos no local que estava, óbvio que Nao a violência! Mais que o povo acorde e nao eleja vereadores que nao tem ideia que uma decisão pode afetar milhares de pessoas! E fica a pergunta? Na legislação passada foi aprovada um reajuste generoso no seus rendimentos, e agora alguns benefícios! Nao seria prudente conversar com a sua base eleitoral antes de votar ou tomar decisões que afeta a vida das pessoas!? Ao povo Francano que fique a lição as vezes as pessoas sao boas mais nao tem coerência para exercer funções! Acorda Brasil
  • Alesandro 3 dias atrás
    Que textinho ruim.... Quase agressão? Ou existiu ou não existiu... Outra ela exerce um cargo público.. Tem que ser cobrada.
  • malandro 4 dias atrás
    segundo a teoria da seleção natural de Darwin podemos dizer que a política evoluiu para um seleção natural de cobras venenosas. Agora vejamos : capitalismo selvagem mais política selvagem mais escassez mais aquecimento global cada vez mais acelerado, posso dizer que em 10 anos ou menos o mundo entrará na fase de desorientamento. Tudo isso são fenômenos culturais milenares e se nada for feito preparem-se para a devastadora terceira guerra mundial.
  • luciano 4 dias atrás
    pelo o menos vai dar para esses veradores comer uma picana todos finais de semana !
  • Dante de Carlos Júnior 4 dias atrás
    Sou servidor público e estava presente no ocorrido. Achei lamentável e critiquei quem cobrou desta forma a Vereadora. Não deveria ter sido desta forma, a manifestação estava bonita, indo bem. Considero o presenta texto bastante razoável. Porém há que se destacar que Vereadores, Prefeitos, Secretários e até o Presidente de nosso Sindicato são figuras públicas que devem estar preparadas para todo o tipo de questionamentos e cobranças. Mas sem o uso de violência. Mas o presente tem uma grande do Jornalista. Diariamente servidores da educação, da saúde e de outras secretarias sofrem agressões físicas e verbais. Não somos Figuras Públicas em evidência, por isto muito do que sofremos não vem a público. Como educador, presencio muitos professores tensos, ficando doentes e afastando por problemas psicológicos, mentais. Muitos estão se retirando da profissão e indo trabalhar com outras coisas. O grande gerador deste Caos tem nome e sobrenome. E que todos sabem quem é. E obrigado pelo espaço para que eu pudesse me manifestar. Mais uma vez, Obrigado. Dante Jr.
  • Max 4 dias atrás
    A pior escória da sociedade é a classe política! Nada produzem, só sugam o que pode da população. No mais, promessas e promessas, mentiras e mais mentiras... E a conta bancária cada vez maior! Paguem seus impostos!
  • Clayton Faleiros 4 dias atrás
    APÓS A LEITURA DE TÃO BEM REDIGIDO TEXTO, E TAMBÉM DOS COMENTÁRIOS (ALGUNS DESPROVIDOS DE NEXO POR SINAL) ME FAZ REFLETIR. FOI CITADO NOS COMENTÁRIOS QUE A NOBRE VEREADORA NÃO ESTAVA NO LOCAL COMO VEREADORA E SIM COMO PROTETORA DOS ANIMAS. VAMOS REFLETIR ? UMA VEZ VEREADORA, VEREADORA É ... NÃO TEM COMO ELA SE DESFAZER DA CAPA DE VEREADORA, ENTROU NA CHUVA , É PRA SE MOLHAR. QUE SEJA UM EXEMPLO MEUS CAROS FRANCANOS, VAMOS SABER VOTAR , É NESSE MOMENTO QUE A PESSOA SE MOSTRA.
  • Darsio 4 dias atrás
    A diferença entre bolsonaristas e aqueles com outras visões de mundo é que os primeiros se fazem lunáticos e, exalam de suas fétidas bocas nada que tenha relação com o que se discute. Aliás, se dizem defensores da democracia, sendo eles próprios artífices de um golpe militar e que não mediram esforços para bloquearem rodovias impedindo as pessoas do ir e vir ou até mesmo procuraram explodir bombas para induzir a tomada do poder pelo genocida, tendo os militares na sua proteção. A Folha de S. Paulo ouviu vários estudiosos e, os mesmos concluíram que se o golpe dos bolsonaristas tivesse tido sucesso, os resultados seriam muito mais violentos com muito mais prisões arbitrárias e mortes.. E, olhem só! O mito pipocou na hora chave, deixando o gado atordoado e, que agora muitos estão sendo confinados em estábulos. E, certo de que a cadeia está muito próxima de si, o mito tenta emplacar a anistia sob a defesa dos direitos humanos, os mesmos direitos que vivia a atacar. E, o mito faz isso não porque está preocupado com os ruminantes já condenados, mas para livrar a própria pele. Faz arminha! Faz!! Faz que os combustíveis não sobem de preços como subiam nos anos de Bolsonaro!
  • Darsio 4 dias atrás
    Sou favorável a existência de sindicatos, mas defendo que os mesmos sejam rigidamente conduzidos sob princípios democráticos e éticos, de modo que seus dirigentes não se perpetuem no poder e acumulem fortunas muito além dos salários recebidos. E, não vamos esquecer que o sindicato dos servidores públicos municipais está em meio a um processo de eleição de sua diretoria e, até que ponto essa mobilização não está muito mais servindo aos interesses da gestão que tenta se reeleger? Massa de manobra?
  • Darsio 4 dias atrás
    Perfeita análise. Violência não se justifica de forma alguma e, há melhores canais para que essa vereadora e os demais colegas da câmara sejam cobrados pelo mal caráter e falta de vergonha na cara de aproveitarem o impasse entre prefeitura e servidores e, na surdina aprovarem um maravilhoso auxílio alimentação a eles próprios. Os vereadores são tão canalhas que, não se contentando com esse maravilhoso penduricalho, fizeram questão do valor ser praticamente o dobro do que é pago aos servidores. Se fôssemos uma sociedade de maioria de pessoas de cultura e pautada pela razão, esses caras jamais seriam reeleitos, independente de partido.
  • Anônimo 4 dias atrás
    É muito bonito falar, falar, queria ver fazer… Apoio a luta de todos os colegas servidores, apoio o trabalho da senhora vereadora, porém falar e não fazer nada dai eu fico indignada. Se pararem e voltar anos atrás tínhamos o reconhecimento da cidade que mais valorizava seu colaboradores , tínhamos uma câmara com vereadores que ia no meio da publico e conversava, hj temos a maior desvalorização da região, é uma câmara que podemos contar com um ou dois , pois is demais pensam apenas no próprio umbigo. Por que não lutar para ajudar a categoria e a própria imagem da cidade. Isso sim está precisando ser olhado. Porque não procurar saber onde estão os problemas para solucionar do quê atacar setores e profissionais afim de se promover e falar eu fiz, não é assim que funciona. Então antes de encerrar gostaria de esclarecer não participei da manifestação, porém que teria sido diferente se a vereadora em vez de correr chamasse alguns profissionais para conversar, pois conheço a integridade deles, sei que ficou feio , porem as duas pessoas que mostram, ade blusa azul e a de blusa preta, que empurraram a nossa vereadora nao sao servidores e assim amiga da querida vereadora, qto ao trabalho dela nao tenho o que dizer pois conheço varias pessoas, inclusive servidores que façam a mesma coisa cuida e da lares para animais e nao precisam ficar se mostrando por aí, penso que esta reportagem está sendo elaborado afim de afastar do objetivo inicial. O QUE TODOS QUEREM É VALORIZAÇÃO VALE REFEIÇÃO E VALE ALIMENTAÇÃO ACEITÁVEL PARA QUEM TRABALHA 12hs por lei teria que ter direito, e os únicos que tem um pãozinho e o noturno. MAS VALORIZAÇÃO
  • Democracia sempre 4 dias atrás
    Sou totalmente a favor dos servidores e suas reinvindicações. Solidarizo-me com eles. Também sou servidor de outra esfera e entendo o momento de revolta diante de todas as circunstâncias. ENTRETANTO, não concordo com esta violência contra a vereadora, quanto mais no momento do trabalho voluntário em prol da causa que sempre defendeu. Especificamente ela, que seja cobrada apenas na Câmara. Acredito que este tipo de ação contra ela não atraia a simpatia da população, pelo contrário. Que os servidores continuem a reinvindicação, justa, muito justa, mas com sabedoria.
  • Fernanda 4 dias atrás
    Pelo amor de Deus PAREM DE ESPALHAR FAKES!! Como servidora e cidadã eu estava lá e não ouve nada além de pedirmos explicações que ela como figura pública tem obrigação de nos dar. Lamentável é saber que não podemos questionar … ninguém encostou um dedo sequer nessa mulher…
  • zezim.f@gmail.com 4 dias atrás
    Se não corre e esconde ela ia levar uns peteleco dos manifestantes. Aí até eu vazaria na braquiária.
  • Matheus 4 dias atrás
    Discordo totalmente. Aumento injusto de salário de vereadores e prefeitos acontecem por todo o país ha tempos, e protestos em plenários e redes sociais não surtem nenhum efeito. Entra mandato, sai mandato, é sempre a mesma coisa. Esses políticos não sentem vergonha, e lhes falta escrúpulos. Por isso, por essa impunidade repetida, por essa falta de empatia, de razoabilidade, etc... que achei justa e proporcional a manifestação dos servidores. Acho que poderia ter uma ação mais forte, na porta da casa desses políticos, por exemplo, ou em todo o lugar que eles estejam. Só quando há punição forte que as pessoas tomam jeito. Essa é a natureza humana. Temos mais de um exemplo disso e essa história repetida de aumento de benefícios de políticos, mesmo diante de protestos a repudias, é só mais um exemplo. Se não se sentirem intimidados, essa gente não vai parar com as injustiças. A população está com a paciência saturada por uma série de injustiças e situações ridículas. Vai argumentar contra a violência do the sons of liberty (pesquisem)? Entendo que a atitude dos servidores parece desagradável, e é. Mas as vezes, isso é necessário. Se vão entrar para a vida pública e fazer porcaria, terão que arcar com isso, ou sair fora. Quer benefícios? Não os procure com dinheiro público. Se não, tem que ter pressão em todos os lugares. Sem trégua. Essa é minha opinião como cidadão, e é o que eu acho certo. Ouvi sua opinião, a respeito, mas discordo dela.
  • Lucas 4 dias atrás
    Que *conveniente* discurso de falsa equidistância! Enquanto a Câmara de Franca **suga os cofres públicos** com cartões-alimentação de R$ 1.900 para vereadores e benesses para o prefeito, os servidores são esmagados com um reajuste de **4,87%** um insulto em tempos de inflação galopante. O artigo lamenta a violência contra Lindsay Cardoso (justamente!), mas **não tem a mesma indignação** com a violência diária que a Câmara pratica contra o povo francano. Vocês querem chorar pela vereadora acuada? Ótimo. Mas cadê as lágrimas pelos **5 mil servidores** humilhados por um reajuste que não paga nem o gás de cozinha? Cadê a revolta contra vereadores que, na mesma sessão em que negaram dignidade aos trabalhadores, **aumentaram seus próprios privilégios**? Não bastasse o subsídio de R$ 10 mil, agora têm vale-refeição enquanto professores e enfermeiros se viram com migalhas. A Câmara e a Prefeitura **brincam de piromanistas**: atearam fogo na credibilidade da política e agora se surpreendem com a fumaça. Queriam o quê? Que os servidores aplaudissem de pé enquanto seus salários viram pó e os vereadores comem caviar com dinheiro público? A **revolta nas ruas** não é \"tristeza\" é consequência óbvia de uma elite política que trata o povo como gado. Sim, a agressão à vereadora é inaceitável. Mas quem **normalizou a agressão institucional** foi a própria Câmara, ao transformar o cargo público em cabide de privilégios. Enquanto vereadores se escondem atrás de \"impacto orçamentário\" para negar direitos básicos aos servidores, rasgam a ética para engordar seus próprios benefícios. Não é hipocrisia? É **cinismo puro**. O artigo fala em \"psicologia\" e \"respeito\", mas ignora o cerne: a Câmara **não é vítima**, é **culpada**. Quando políticos tratam o dinheiro público como butim de guerra, a população não vê \"representantes\", mas **saqueadores de colete social**. E sim, isso gera ódio um ódio que não nasce do nada, mas da percepção nítida de que **a casa legislativa virou um clube de privilegiados**. Querem apaziguar os ânimos? Comecem devolvendo o cartão-alimentação, cortando assessores e revogando o aumento obsceno. Enquanto isso não acontecer, qualquer discurso sobre \"diálogo\" soará como **teatro barato** para lavar a imagem de quem já perdeu a vergonha na cara. Franca não precisa de lições de Nietzsche. Precisa de vereadores que lembrem o que é **servir**, não **ser servido**. E de uma imprensa que não confunda \"isenção\" com **omissão** diante do roubo descarado ao erário. A violência nunca é solução, mas a Câmara precisa entender: quando se **semeia desprezo**, colhe-se tempestade. E essa tempestade tem nome: **revolta legítima** de quem cansa de ser tratado como trouxa.
  • Claudia 4 dias atrás
    Ela faz um belo trabalho,e no sábado ela não tava como vereadora,ela tava como protetora. Tentando conseguir um lar pro animaizinhos. Aí esse pessoal fazer isso. Eles não trabalham voluntários no sábado e no domingo.
  • João Paulo 4 dias atrás
    Tudo uma construção de narrativa, para emular um \"erro menor e perdoável\" da Câmara - nossa, que danadinhos, prometam não fazer mais isso! - e vilanizar os servidores - nossa, que gasto público, que violentos, que monstros! Um malabarismo de oratória mais antigo do que andar pra frente. Ao nobre editor, que é adepto das frases de efeito, deixo como reflexão um excerto de Shakespeare: \"these violent delights have violent ends\".
  • \"L\" 4 dias atrás
    Fazendo o \"L\" aí companheirada. Pelo menos vai dar para comprar picanha, cerveja, café e ovo ?