"...a saudade é arrumar o quarto/do filho que já morreu..."
Chico Buarque
Vi hoje a mulher que era doida
e chorava o filho perdido
a mulher que era doida
já não chora
o tempo a faz esquecida
e esquecida e normal foi que vi
a mulher que chorava e era doida.
o cabelo da mulher hoje é preto
e nevados no transe eles eram
hoje secos seus olhos estão
e não mais derramam sua dor.
a mulher que eu vi hoje cedo
apenas carrega o brinquedo
partido no seu horror.
e odiei a mulher um momento
pelo filho que ela perdeu
e pela ausência de dor em seus olhos.
entretanto quando sorriu
seu sorriso de choro esgotado
eu amei a mulher desbotada
e odiei a dor que eu cobrava.
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