NOSSAS LETRAS

Amargura, um grito para Anderson

Por Mirto Felipin | especial para o GCN
| Tempo de leitura: < 1 min

“Quero lançar um grito desumano, que uma maneira de ser escutado.”
Chico Buarque

grito do mundo
na boca do liberto
que, por bem certo,
espreita por perto
a céu descoberto
o choro vagabundo
do animal moribundo
cujo ódio profundo
arrebenta fecundo
o conforto do imundo.

e esperneia medonho
o acalanto profano
que a reza do insano
transforma enfadonho
no gemido tristonho
a sangrar mais um sonho.

então a esperança
esvanecida criança
volta na trança
do amor vergonhoso
infiel, indecoroso
de sorriso andrajoso
agarrada à fiança
de que amanhã a mudança
trar-lhe-á outra dança
cujo passo fogoso
apagará todo o nojo
alastrando o fogo
de outro amor duvidoso.

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Escrito originalmente e provavelmente no final dos anos 80 --reescrita em 25-04-2022, 10h53, segunda ensolarada, meu ap. Franca Garden.

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