Na Ciudad del Mexico, bairro de Coyoacán, no dia 6 de julho de 1907, nascia Magdalena Carmen Frida Khalo y Calderón. Em Guanajuato, também no México, num 8 de dezembro de 1886 havia nascido Diego Rivera, um dos maiores pintores do século XX, destacado pintor e dono de espírito revolucionário do movimento Muralismo Mexicano. Muito tempo depois, os destinos de ambos se cruzaram e a pintura mexicana ganhou dois representantes fabulosamente criativos.
A infância e puberdade de Frida seguiam cheias de arte e peripécias, muita traquinagem, alegria quando, ao voltar para casa depois das aulas, espera pelo transporte público, entra no bonde com seu companheiro de escola, mostra para ele as tintas que ganhara daquele pintor gordo que conhecera no salão da escola, ocupado em pintar imenso mural nas paredes da escadaria do prédio escolar e nem imaginava que daquele encontro nasceria tórrido relacionamento, tão carregado de paixão quanto de ódio, como soem ser grandes amores, daqueles que marcam época e servem de referência. Os destinos de Frida e Diego se cruzaram naquela troca de presentes e nunca mais se dissociaram.
Era 17 de setembro de 1925.
Quis o destino que Frida se sentasse no único banco do bonde que seria totalmente destruído pelo impacto com pequeno ônibus que cruzou a frente do veículo. Sofreu fraturas pelo corpo, foi empalada por pedaço de trilho que entrou por sua virilha, destruiu seus órgãos reprodutores, quebrou diversos ossos pelo corpo e agravou profundamente a poliomielite que sofrera em criança. Foi encontrada desacordada, estranhamente coberta com pó das tintas que ganhara horas antes de Rivera. Essa descrição, que me impressionou a ponto de me lembrar destes detalhes, foi publicada no jornal Folha de São Paulo, por volta de 2000, no aniversário de 75 anos daquele terrível acidente. Em 2002 Selma Hayeck lançou o filme Frida: foi quando o mundo conheceu a força de Frida Kahlo, admitida como ícone dos mais significativos do movimento feminista. Sua vida, suas paixões, sua força, coragem, ousadia, superação nas adversidades se tornaram públicas, a admiração por ela cresceu enormemente.
Chegou 2005. Estava em Rifaina num final de semana a convite de amigos, que também recepcionavam casais de cunhado e irmã, sobrinha e marido. Em conversa descompromissada com a sobrinha, antenada jornalista, tocamos no nome de Frida Kahlo e externamos ambas o desejo de conhecer mais profunda e pessoalmente a vida da pintora, passar por lugares pelos quais ela passou; visitar as casas onde morou; ver seus quadros; conhecer as ruas por onde andara, o quarteirão do bairro ao qual se referia nos desenhos. E fomos...
Cidade do México! Entramos na Casa Azul, museu histórico e de arte pintado de azul cobalto dedicado à vida e obra da artista, localizado em Coyoacán. Vi a cama onde passou tanto tempo deitada pintando-se, dedicando-se a escrever, ilustrar seu diário, criar seus desenhos. Toquei suas plantas, sob a copa das árvores do quintal. Fugi dos lagartos e, depois, percorri o Museu Diego Rivera Anahuacalli, a casa que Rivera construiu e onde ambos moraram.
A decepção? Não termos visto pinturas originais, só reproduções dos quadros de Frida, pois que haviam sido enviados para Londres a fim de serem expostos na Tate Modern. Inesquecível? Ouvir os Mariachis na Plaza Garibaldi e relembrar as letras das canções de Agustín Lara, Pedro Infante, Chavela Vargas, Miguel Aceves Mejia, Manzanero e Trio Los Panchos. (Sabia? Não se canta Parabéns Pra Você nas festas de aniversário no México. Canta-se Las Mañanitas, com melodia original e ligeira alteração na letra.)
São muitas as Fridas. Voltarei um dia, para conhecê-las também. Tem a Frida idealista; a Frida lançadora de moda; Frida, a mulher apaixonada; Frida, a mulher que soube perdoar o homem amado; a Frida, a Feminista. São muitas as mulheres fortes dentro daquele corpo frágil e muitas vezes remendado.
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