ARTIGO

Conselho de Cultura?

Por Baltazar Gonçalves | especial para o GCN
| Tempo de leitura: 3 min
Sophia Morais/Divulgação

Nesta última quarta-feira, 29, agentes culturais de Franca se reuniram para discutir e organizar a nova formação do Conselho Municipal de Cultura. A entidade não-governamental é subordinada à gestão da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura de Franca) e, portanto, tem liberdade de atuação compartilhada, ou limitada, pelo poder instituído.

Essa limitação é real, muitos entraves são burocráticos, a lei que só faz demorar e excluir lê a produção cultural como destroço, entulho, desprezando a força de produção dos agentes em suas comunidades, forçando quem faz cultura a desistir ou redobrar forças para suplantar a perfídia do descaso e desmonte vivido no Brasil, e claro, em Franca.

O principal objetivo nessa etapa de retomada cultural pós-pandemia seria continuar o mapeamento da produção e dos produtores de arte na cidade, dar mais visibilidade ao movimento e orientar sobre as políticas públicas de fomento econômico via transferências de recursos estaduais e federais, que se destinam aos agentes culturais munícipes sob a pena da lei em trânsito nem sempre ao alcance da nossa sabedoria ou ciência.

Em outras palavras, o Conselho Municipal deve fazer a ponte entre governos, produtores e consumidores da cultura produzida em Franca para que a roda dessa economia criativa se estabeleça forte e constante.

Fazer cultura é uma ação política. Nesse embate para conquistar espaço para a criação e a circulação de bens e serviços culturais, as partes envolvidas tendem a pender para o lado que se faz atuante, ou seja, quem não se organiza e não se mostra continua na invisibilidade.  Ali estamos (foto), os agentes culturais organizados, preparando a eleição do Conselho Municipal de Cultura que deve ser amplamente divulgada para garantir o sucesso da empreitada. Eu estive presente nessa primeira reunião de 2022.

É bonito ver reunidos artistas jovens, cuja arte resulta em comunicabilidade junto à sua comunidade, ou parte da nossa, como um todo que anseia mais coesão. O Conselho deve apontar caminhos para a unificação dos esforços e a capacidade de transformar as circunstâncias, agremiar áreas e nichos de cultura (música, dança, teatro, literatura etc.) e compor, nesse grande esforço coletivo, um “corpo-artista” atuante frente às adversidades e aos desafios da atuação criadora. Homens e mulheres, jovens e veteranos: a criatividade como atuação política fortalece os laços que nos unem.

Embora toda expressão de arte me atravesse dando-me ferramentas para ressignificar as realidades, a literatura é o nicho que focalizo por considerar as tecnologias da palavra a fonte de todos os recursos e manifestações geradores de cultura. Em última instância, a criação ficcional nos reinventa, a literatura é um mergulho nos tecidos sociais onde habitam nossa consciência, nossas necessidades e nossas mesquinharias. A literatura, a meu ver, é esse guarda-chuva amplo o suficiente para abrigar espíritos práticos e almas inquietas. Ela agrega e dá visibilidade para as camadas de sentido nem sempre à vista ou óbvias. A literatura assopra, mas também morde; a literatura tem dentes afiados e lábios macios, é bela e forte. Em Franca, a literatura cresce e se apresenta madura, a literatura beija os inconscientes e desperta quem, sonhando a vida, ainda dorme.

Estamos atentos, literalmente buscando mais conectividade: queremos mais pontes e menos muros – e faremos acontecer, porque acreditamos uns nos outros.

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