Um banguê para Dona Augusta

Por Maria Rita Liporoni Toledo | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 2 min

Naquela noite fria de inverno, reunidos ao redor do fogão à lenha, onde tardias brasas se despediam, mas ainda amornavam o ambiente, o avô contava uma história aos seus netos, de várias idades. Os menores ficavam fascinados pela voz forte e firme dele, enquanto os maiores o ouviam com ar de incredulidade. Estas histórias contadas de pais para filhos compõem a tradição oral que transportam conhecimentos, emoções, repletas de ternura. Contar histórias preserva os laços das famílias e a memória afetiva dos envolvidos.

“A família morava em terras próprias, em um vão da Serra da Canastra, juntamente com muitas outras,” começou ele, “praticando economia de subsistência, com muitas aves no terreiro, horta, pomar, porcos e gado, pois não podiam faltar o leite e os queijos. Plantavam lavouras de arroz, feijão, milho e mandioca. Vendiam o que não usavam e eram felizes.

Certo dia, Dona Augusta, a mãe que já estava bem velhinha, mas forte, foi encontrada caída, desmaiada. Em clima de muita consternação deram–na como morta e logo um dos filhos, montado em seu cavalo, partiu para o povoado avisar ao restante da família e providenciar o sepultamento. O meio de transporte eram os burros cargueiros e cavalos marchadores, pois a encosta era bem íngreme.

Os irmãos providenciaram um banguê, com dois paus, de três metros de comprimento, onde amarraram as pontas de uma colcha grossa, para levar Dona Augusta, carregada por homens fortes que se revezavam no caminho. E a caravana partiu com muitas pessoas chorando e rezando pela morta. Várias mulas carregadas levavam mantimentos e utensílios. Água pura de mina encontravam à vontade pelo caminho.”

Continuou o avô:

“ No povoado a criançada ficou alvoroçada, como eu era um menino esperto, corri com eles para esperar a chegada da mulher no banguê! Porém, no meio do caminho, Dona Augusta acordou e perguntou o que acontecia. Estava bem viva! Terminaram a jornada com ela chegando a pé, à frente de todos, para a surpresa e alegria geral!”

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