Não sou recatada, nem pudica, mas confesso que ando intrigada com a quantidade de palavrão que tenho lido nas redes sociais.
E nesse balaio não estão apenas os gatos, mas também escritores e jornalistas de alto quilate.
Então fico me perguntando: que PORRA é essa?
Seria a possibilidade de escrever uma palavra com caneta fosforescente?
Ou seria um apito de fim de jogo, um prato quebrado no chão, uma água gelada no rosto, o desenroscar a tampa de um refrigerante com pressão?
Pode até soar estranho o palavrão, mas talvez este seja o cenário do cheiro entupido do ralo, que escorre e assusta o pobre canário brasileiro em depressão.
Pode soar cruel o ruído dos bichos, mas depois de tanto tempo hibernados eles acordam para fazer revolução, nem que seja das palavras.
Nem que seja da boca calada que agora se abre e se assusta ao ver o rei nu desta nação.
A vaidade humana nunca esteve tanto em alta. Lavam-se roupas sujas em praça pública, a JATO. Lavam-se anáguas das marquesas, ceroulas dos coronéis, dos duques, das altezas.
O cidadão avista tudo e coloca a boca no trombone. Pode até parecer grosseria, mas não se engane não, o palavrão é resistência, cabeça pensante, uma nação que acorda de um pesadelo-não tão distante.
Só quem viveu olho por olho, dente por dente entende o significado real de um palavrão.
Só quem mora neste país sabe o que é um grito entalado de uma sociedade que tem passado e já viu sua pátria mãe gentil afundar em berço esplendido.
Estamos todos no mesmo balaio: porcos, pérolas, cães e gatos. Queremos ser vistos, para sermos lembrados.
Chega de sermos prisioneiros de nós mesmos. Tiremos as máscaras e joguemo-las ao longe.
A luz ofusca, eu sei. Você pode chorar. Tarda, mas não falha, o amanhecer chegou. Porra!
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