Mulher e negra, a psicóloga Josiane Barbosa Oliveira é reconhecida por atuar em diversos projetos sociais em Franca. Aos 58 anos, tem uma lista extensa de trabalhos realizados, dentre outros projetos que esses coletivos realizam. Para ela, conviver com pessoas é como um hobbie, que curte tanto quanto música, leitura e gastronomia.
Você é psicóloga há muito tempo e também é envolvida com a comunidade espírita, trabalhos de psicoterapia, o grupo Mulheres do Brasil. Por que decidiu participar dessas frentes? Cada um deles tem sua história, mas resumo em uma única resposta: gosto muito do poder mobilizador de grupos. Quando a gente descobre um objetivo em comum, estar em grupo amplia nosso pensamento, nos dá sugestão de novos estudos e conhecimentos e nos incentiva a ações e mudanças. O interessante é que, com o passar do tempo, a gente vai construindo uma história em comum que nos enriqueceu a todos. No Clube de Leitura, por exemplo, com encontros mensais, já contabilizamos 52 livros lidos, no Cinema e Psicanálise são dez anos de 8 filmes por ano, no Igualdade Racial já realizamos cursos e agora vamos realizar uma Aceleradora de Carreiras para jovens Mulheres Negras, ou seja, o trabalho coletivo dá muitos frutos!
Um dos trabalhos que você faz parte é o “Cinema e Pscicanálise”. Como você avalia o que vem sendo realizado nesses encontros? O Projeto Cinema e Psicanálise é algo realizado com muita seriedade. Nele são convidados psicanalistas que comentam filmes. Em 2019 estamos com a proposta de “Interações”, trazendo para o debate vértices de outras áreas de conhecimento como a linguística, a história, a literatura, a arte. Vejo como resultado dos encontros a vitalidade dos nossos eventos: sempre tem gente nova chegando e se apropriando dos temas discutidos. Animador e estimulante.
O grupo Mulheres do Brasil tem se tornado cada vez mais forte e atuante. Quais os objetivos do grupo? O grupo tem vários comitês, Educação, Verdejar, Trânsito, Violência contra Mulher, Vozes e o Igualdade Racial, onde participo mais intensamente. Dia 23 de maio faremos o Lançamento da Cartilha “Tocando no Assunto” para trazer a discussão do Racismo, abrindo um tema que ainda é difícil ao brasileiro. O grupo Mulheres do Brasil é um grupo que se propõe a pensar soluções para problemas sociais que atingem nossa população com uma perspectiva de realizar ou de colaborar com quem já está realizando.
Como avalia as mudanças que esses grupos de participação e mobilização social em Franca? Percebo que temos ativado a Vontade de muitas pessoas. Isso é muito bonito. Ouço constantemente as pessoas dizendo o quanto se sentem melhor por participarem de muitos dos grupos onde estou. Nossa sociedade contemporânea tem tido a solidão como uma das suas questões mais duras e a atividade grupal permite que criemos vínculos. Alguns deles resultam em amizades deliciosas e duradouras.
Analisando todas essas frentes que você atua, qual o maior desafio? Acredito que são muitos os desafios, mas elejo um hoje: Nossa maior consciência em relação a nossos espaços públicos. Ainda sinto dificuldade em saber o que é feito em muitos núcleos, ainda há pouca comunicação entre as células promotoras. Crescemos, mas ainda vamos crescer mais. Recentemente, no I Fórum da Mulher, onde participei de uma mesa sobre a Mulher Negra, fiquei encantada com o número de iniciativas e belos trabalhos que temos em nossa cidade.
Como vê o futuro da sociedade? O futuro está atrelado ao que fizermos deste nosso presente. Vejo a necessidade de ações. Cada um à seu modo pensando no que pode contribuir para o bem estar geral. Todos temos muito a oferecer. Essa idéia da permuta de seu tempo e habilidades é antiga e reflete consciência social. Ainda estamos construindo nossa cidade e nosso país. Que se estimule profissionais com educação continuada, que haja oportunidades públicas de enriquecimento cultural, que as pessoas busquem as suas espiritualidades próprias, seus sentidos de vida. Todas essas mudanças já estão a nosso alcance. Delas surgirá um futuro melhor.
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