José Geraldo Segantin: o padre das multidões


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Monsenhor para alguns, Padre para outros, o fato é que o título pouco importa. Na prática, Jose Geraldo Segantin é o religioso influente da cidade. Durante 27 anos, foi o principal pároco da Igreja Nossa Senhora da Conceição, a Catedral de Franca. Ao longo de décadas, viu sua voz afinada, que o levou a gravar quatro CDs, converter-se numa referência não apenas na comunidade católica, mas também em toda a cidade. 
Há dois anos, foi transferido para a paróquia de Santo Antônio, na Cidade Nova. Atraiu consigo uma legião de fiéis. Tendas e telões foram improvisados para que a multidão, reunida do lado de fora, pudesse acompanhar as missas. Neste domingo, José Geraldo vai comandar várias celebrações nesta data que o toca profundamente. “Tudo é especial”, explica. Vai também tirar um cochilo depois do almoço em família, uma tradição da qual não abre mão. Nem na Páscoa. 
 
O que a Semana Santa significa para homem José Geraldo, no plano pessoal? De que forma a data impacta a sua vida?
Fica difícil separar o humano do religioso. A preparação das celebrações e as celebrações sendo realizadas me ajudam a crescer espiritualmente. Todos os anos gosto muito de cada celebração. Tudo é especial. Todas falam profundamente.
 
Qual sua memória mais antiga da Semana Santa? 
Me recordo da infância, quando o padre da paróquia na cidade de Orlândia nos entusiasmava para que participássemos com piedade e devoção de cada momento celebrativo. Em casa, na família, sempre se preparava um almoço mais gostoso e tinha a visita do coelhinho da Páscoa, com chocolates.
 
As “promessas” mantém sua força em períodos como a quaresma. Muita gente ainda se priva de comer carne vermelha nesta época. Qual sua opinião a respeito? 
O jejum e abster-se de carne vermelha na Quaresma e, especialmente, na sexta-feira Santa, nos ajudam ao sacrifício de deixar algumas coisas do dia-a-dia para transformar o coração e atitudes em cada dia da vida. É sempre válido. Se por motivo de saúde não puder jejuar ou abster-se de carne, a pessoa pode doar alguma coisa aos pobres ou visitar uma família enlutada, ou alguém na prisão.  É obra de caridade.
 
O Papa Francisco disse que, durante a Quaresma, esperava que os fiéis recebessem “a Graça de ter a experiência da grande benção que é o perdão de Deus, que nos permite olhar o mundo com mais bondade”. O senhor consegue sempre perdoar os que, eventualmente, o ofendem?
Perdão e compaixão revelam o ser divino que mora em nosso coração. Não conservo nada mal, em meu coração, contra o próximo.
 
Jesus Cristo pregou amor, perdão, compaixão, mas acabou condenado num julgamento sumário, sem clemência da multidão enfurecida, que preferiu salvar Barrabás, um ladrão comum. Muitos dizem que, se vivesse hoje em dia, Cristo seria alvo dos haters nas redes sociais. Como o senhor avalia o comportamento daqueles que usam o conforto das redes sociais para participar de verdadeiros linchamentos morais?
Qualquer meio, antigo ou moderno, que consiga difamar ou prejudicar alguém é abominável. É um grande pecado. Existem pessoas que gostam de destruir os outros Mas elas devem pensar que a própria vida um dia cobrará as atitudes praticadas de forma errada contra o próximo. 
 
Páscoa é renascimento, renovação. O que o senhor espera para Franca neste ciclo que se inicia?
Rezo para que nossas autoridades colaborem para Franca ser saudável, acolhendo a todos, abrindo chances de novos empregos, tendo condições de vida digna. Que haja fé e respeito por Deus e pelo irmão. 
 
Onde José Geraldo Segantin vai passar seu domingo de Páscoa? Como será a celebração?
Vou viver a Páscoa nas celebrações. A procissão da Ressurreição será às 5h30 e, depois, as missas costumeiras, às 7h, 9h30, 18h e 19h15. O almoço será em casa mesmo, com direito a um soninho gostoso.

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