Cães pastores alemães dos canis da Polícia Militar de Franca, Ribeirão Preto, Sertãozinho, Araraquara e Barretos estão passando por um treinamento hoje na sede do 15º Batalhão sediado em Franca. São animais ensinados para encontrar drogas, imobilizar suspeitos e atuar como ferramenta de proteção dos policiais.
O encontro foi dividido em duas partes: primeiro, os adestradores trocaram experiências, discutiram técnicas e avaliaram como os cães estão se portando para que a prestação do serviço possa ser melhorada. Em seguida, partiram para o campo de futebol do batalhão, onde foram realizadas simulações práticas de abordagem e ataque. Foi quando eu saí da posição de espectador para, literalmente, entrar em campo e participar do treinamento. Deixei de ser jornalista para ser ator por um dia. Não sei por qual motivo, mas os policiais me escolheram para fazer o papel de suspeito em fuga.
O arrependimento (e o coração) começou a bater logo na hora de vestir a “Bite Suite”, roupa de proteção para manejo de cães que é confeccionada em tecidos de nylon e algodão, manta acrílica e feltro sintético. A parafernália pesa em torno de 13 quilos e tem quase zero de flexibilidade. Imagina usar um troço desse debaixo de um sol do meio dia. Equivale a um mês de academia e duzentas sessões de sauna.
Para dificultar ainda mais, tive que esperar cerca de 40 minutos para “entrar em cena”. Ainda bem que os policiais “amigos” deram conselhos animadores para me acalmar. “Cuidado para não cair. Não deixa o cachorro morder o seu pescoço, se não, já era”. A essa altura, já era tarde para um jornalista raiz fugir da raia (tinha muitas câmeras ligadas). “Edson, se prepara, é sua vez”, avisou o tenente Marcel da Silva Pereira.
O cão escolhido para contracenar comigo foi o “Draco”, um pastor alemão de quatro anos e que pesa 43 quilos. Experiente, ele já ajudou a polícia a tirar muitos traficantes e ladrões das ruas. Não sei quantificar a força que o bicho tem, mas foi suficiente para me jogar no chão duas vezes. Acho que os policiais esqueceram de avisar que sou amigo. Mesmo com a roupa de proteção, deu para sentir a pressão de suas presas no meu braço. Amigo da onça, o fotógrafo do Comércio da Franca Dirceu Garcia pediu aos policiais que o ataque fosse repetido para que ele pudesse fotografar e filmar. Ao final, ainda queria que eu desse depoimento falando como foi. A respiração e o batimento cardíaco só voltaram ao normal meia hora depois.
Apesar do medo e da tensão, foi uma experiência incrível. Não há o menor risco. Os cães são muito bem treinados pelos adestradores. Foi bom ter participado do treino, mas a parte que mais gostei mesmo foi quando o adestrador deu o comando, em alemão, para o Draco soltar meu braço.
Aos criminosos da vida real, um alerta: os cães da PM não brincam em serviço.
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