Devemos ser santos


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A solenidade de todos os santos e santas de Deus é um dia para celebrarmos a vitória daqueles que nos precederam na fé e partiram desta vida para junto de Deus. ‘Estes são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e branquearam suas vestes no sangue do Cordeiro’, viveram a filiação divina, pelo cumprimento das bem-aventuranças, foram proclamados santos. O tom da celebração de hoje é de alegria e de esperança. Quem são os santos? Santo é todo discípulo, quer esteja ele já com Cristo no céu, quer viva ainda na face da terra. Vamos aos textos sagrados reservadas para hoje: Apocalipse 7 (Primeira Leitura), 1ª Carta de João 3 (Segunda Leitura), Mateus 5 (Evangelho).
 
PRIMEIRA LEITURA — APOCALIPSE 7: A santidade não é uma condição superior que possamos alcançar com nossos esforços ascéticos, não é fruto do nosso heroísmo, é um puro dom de Deus. Só ele nos torna santos. A primeira leitura, que a liturgia hoje nos propõe, quer nos levar a elevar os olhos para a condição santa à qual o Pai nos destinou.
Os santos são privilegiados, não foram poupados das provações, das vicissitudes, das desventuras desta vida. Porém, são colocados em uma nova condição, santa. Pertencem a Deus. Assimilaram os pensamentos, os sentimentos, as escolhas de Deus. 
As provações não os revoltam, não os abatem, não os perturbam. A doença, a dor, a traição para eles não são derrotadas nem absurdos, são momentos de amadurecimento e de crescimento. Todos estão em pé diante do trono do Cordeiro, estão revestidos de vestes brancas e têm palmas na mão. A veste branca é o símbolo da alegria e da inocência, as palmas são o sinal da vitória.
 
SEGUNDA LEITURA — 1ª CARTA DE JOÃO 3: A vida de Deus que o cristão recebe no batismo é uma realidade espiritual, misteriosa. O primeiro versículo da leitura diz, acima de tudo, que a vida divina é um dom gratuito do Pai. 
A segunda parte da leitura recorda uma verdade muito consoladora: o Pai não aguarda o dia da nossa morte para dar-nos essa vida divina, ele no-la dá hoje. Aquele do qual aguardamos a manifestação, aquele que um dia veremos face a face, é Cristo. 
Quando pudermos contemplá-lo, entenderemos também quem nós somos realmente. Diante de Cristo nossos olhos abrir-se-ão, e então compreenderemos o que Deus fez em nós.
 
EVANGELHO — MATEUS 5: Mateus coloca o primeiro discurso de Jesus pronunciado na montanha. Hoje acompanhamos Jesus ao alto da montanha para escutar suas propostas de felicidade, de sucesso, de bem-aventurança. 
É preciso enfatizar que as bem-aventuranças não são princípios abstratos, mas versam sobre situações concretas das pessoas que seguem a Cristo.
A bem-aventurança que abre o conjunto é a mais lembrada. Jesus chama ‘pobre’ a quem, não tendo nada (sentido social da pobreza) põe sua confiança em Deus (sentido religioso da pobreza). Ele põe, em primeiro plano, a pobreza real, sem a qual não é possível a pobreza espiritual.
A pobreza espiritual não é outra coisa que a radicalização e a interiorização da pobreza real e, de nenhum modo, um pretexto para fazer mais confortável o cristianismo aos que seguem sendo ricos às custas dos pobres. 
Conforme os estudiosos da Bíblia, as oito bem-aventuranças têm como chave de interpretação a primeira e a oitava: o Reino dos Céus é prometido aos pobres e aos perseguidos por causa da justiça.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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