Vemos, na liturgia de hoje, que Deus ama toda sua criação. Não há nada que, sendo criado por Deus, não seja amado e querido por Ele. Estes são os textos sagrados reservados à nossa reflexão neste domingo: Sabedoria 11 (Primeira Leitura), IIª Carta aos Tessalonicenses 1 (Segunda Leitura), Lucas 19 (Evangelho).
PRIMEIRA LEITURA — SABEDORIA 11: Um traje feito com tecidos finos, de cores cintilantes, atrai os olhares de todos, mas se tiver uma única mancha de barro, os olhares infalivelmente se voltam para este detalhe que compromete a aparência. O olhar das pessoas é cruel: observa sobretudo as manchas, os defeitos, os limites, os aspectos negativos das pessoas. Como é o olhar de Deus?
Ele é paciente porque é forte, é grande, pode tudo. Ao invés de nós, vê o mundo inteiro como pó na balança ou como uma gota de orvalho, que desce de madrugada sobre a terra. O segundo motivo da moderação de Deus em relação aos egípcios é esse: ele não repara, fecha os olhos aos pecados dos homens para que se arrependam. E o terceiro motivo é este: O Senhor contempla com amor tudo o que existe, porque tudo é obra das suas mãos.
SEGUNDA LEITURA — IIª CARTA AOS TESSALONICENSES1: Os cristãos de Tessalônica estão atravessando um período bastante difícil: devem suportar opressões e perseguições, mas o que mais os preocupa é o fato de que, nesta comunidade, infiltraram-se alguns visionários que anunciam como iminente o fim do mundo.
O apóstolo escreve então aos cristãos de Tessalônica e lhes recomenda muita atenção para não se deixarem iludir por estes fanáticos que, em vez de anunciar o Evangelho, espalham visões e inspirações pessoais. Paulo reza incessantemente a Deus para que os tessalonicenses consigam entender onde está a verdade, e pede que o Senhor seja glorificado.
EVANGELHO — LUCAS 19: O trecho começa apresentando-nos Jesus ao entrar em Jericó, acompanhado pela multidão e pelos discípulos. Encontramos inicialmente um homem que procura ver Jesus. Chama-se Zaqueu, que, por uma estranha ironia do destino, significa puro.
Zaqueu não é um simples publicano, e sim, um gerente de ladrões! Contudo, quem sabe porque ele quer ver Jesus? Para que consiga alcançar seu intento, sobre num sicômoro. Procura ver aquele que têm condições de compreender o seu drama interior, mas alguém quer impedi-lo. São os grandes, as pessoas de elevadas estaturas, que cercam o Mestre, e não toleram que os pequenos, os impuros entrem em contato com ele. Por que a multidão e os discípulos estavam tão preocupados em impedir o encontro de Zaqueu com Jesus. Nele só viam o publicano, o pecador, o aproveitador, nada mais.
Jesus se encontra no meio dos justos que o seguem, que escutam a sua palavra. Contudo, quase por instinto, logo que enxerga o pequeno, imediatamente abandona o grupo dos fiéis e se preocupa com o pecador.
Observemos com atenção: Jesus não fez nenhum sermão para Zaqueu, não lhe fez nenhuma repreensão; convidou-o para uma festa, e só. Zaqueu não foi admitido ao banquete do reino porque era bom. Tornou-se bom depois, quando já estava participando do banquete. Converteu-se quando descobriu que Deus o amava, não obstante ele fosse um impuro, um pobre, um pequeno, aliás, justamente, porque era pequeno. Foi por este Deus-amor que ele aprendeu a amar.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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