Deus misericordioso


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Este domingo pode ser chamado de ‘o domingo da misericórdia’. A misericórdia de Deus é o tema principal da Palavras proclamada. A misericórdia de Deus pede a nossa misericórdia. Eis os textos sagrados que embasam nossas reflexões de hoje: Òxodo 32 (Primeira Leitura), I Timóteo 1 (Segunda Leitura), Lucas 15 (Evangelho).
 
PRIMEIRA LEITURA — ÊXODO 32: Havia alguma possibilidade de que um dia Israel pudesse ser seduzido por práticas pagãs, e as adotasse? Enquanto Moisés se encontra na montanha falando com o Senhor, os israelitas entregam para Aarão as suas jóias e, com o ouro recolhido, fazem um bezerro. A primeira parte da leitura de hoje nos fala da indignação de Deus diante desta infidelidade.
Moisés, não se omite. Permanece ao lado do seu povo, prefere perecer com os irmãos do que salvar-se sozinho.
A segunda parte da leitura nos apresenta a oração de Moisés. Ele começou a acariciar o rosto do Senhor, seu Deus. Comporta-se como uma criança que vê seu pai carrancudo, e começa a agradá-lo, até conseguir arrancar-lhe um sorriso. Esta imagem é uma das mais enternecedoras de toda a Bíblia. Quais são as palavras que Moisés usa para acariciar o rosto do Pai?
Ele começa lembrando ao Senhor as promessas sem condições feitas outrora aos patriarcas e conclui: ‘não preferirás que os egípcios possam dizer que não cumpriste a tua palavra! A conclusão: o Senhor se arrependeu das ameaças que tinha proferido contra seu povo.
 
SEGUNDA LEITURA — I TIMÓTEO 1: Temos alguma prova que nos permita afirmar que Deus não condena ninguém? Com certeza! Na passagem da primeira Carta a Timóteo, que hoje nos é proposta, Paulo nos apresenta uma, e indiscutível. 
Diz ele assim: ‘eu era um blasfemo, um perseguidor, um injuriador; não havia ninguém pior do que eu; mas o Senhor teve misericórdia de mim.’
Paulo afirma que Deus se serviu dele como de um exemplo para mostrar como é grande a sua magnanimidade. Se alguém, como ele, inimigo da fé, ‘o primeiro entre os pecadores’, conseguiu misericórdia, poderá alguém ter ainda medo de que Deus o trate com severidade?
 
EVANGELHO — LUCAS 15: No Evangelho deste domingo nos são propostas as chamadas ‘parábolas da misericórdia’. A primeira é a da ovelha desgarrada. O objetivo de Jesus não é o de converter os pecadores;também os fariseus correm o mundo para fazer um prosélito. 
O que ele quer que todos entendam e que começou uma festa, e é esta festa preparada para as pessoas indignas, e isso revolta os ‘justos’. 
A atitude de Jesus, que dá acolhida aos pecadores e come com eles, revela uma face de Deus que os fariseus não podem aceitar: é escandalosa.
A outra, a da moeda perdida. Também nessa identificamos as mesmas incongruências: há a explosão de alegria incontida da mulher que encontra a moeda e há a festa para a qual convida as amigas e as vizinhas. 
Em comparação com a parábola da ovelha, aparece, nessa, um elemento novo: a descrição muito viva da preocupação da mulher, e do seu esforço para localizar a moeda. 
É a imagem de Deus que não se resigna a perder uma só das suas criaturas (o número dez indica a comunidade inteira) e que não senta à mesa do banquete eterno senão depois que o último dos seus filhos tenha entrado em casa. Deixam em destaque que iniciativa da conversão não parte do homem, mas de Deus.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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