A loucura dos bens


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Neste domingo a Palavra de Deus toca num tema de atinge a todos nós, e sem distinção. Vamos às leituras sagradas reservadas que falam deste tema, e às reflexões que nos propõem para o exercício de nossa vida cristã: Eclesiástico 1 (Primeira Leitura), Colossenses 3 (Segunda Leitura), Lucas 12 (Evangelho).
 
PRIMEIRA LEITURA — ECLESIÁSTICO 1: Cerca de duzentos e vinte anos antes de Cristo, vive em Jerusalém um homem sábio, que o povo chama Coélet, cujo nome significa ‘aquele que reúne ao seu redor uma assembleia, aquele que ensina a sabedoria a numerosos discípulos’.
Coélet medita durante longo tempo sobre tudo o que acontece na terra e conclui: ‘Tudo é vaidade!’ É uma afirmação desoladora e amarga. Aconselha, então, a seus discípulos, um moderado aproveitamento de tudo o que a vida oferece, mas deixa sem resposta as questões fundamentais. 
Essas respostas não se encontram em seu livro, mas no Evangelho. Virá de Jesus o convite para que o homem alargue seus horizontes e não se incline exclusivamente a vantagens pessoais.
 
SEGUNDA LEITURA — COLOSSENSES 3: ‘Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, pensai nas coisas lá de cima, não nas desta terra’. Para entender este conselho, deve-se lembrar que nesta parte de sua carta, Paulo se refere ao Batismo. Por esse sacramento, ensina ele, o cristão morre para a vida antiga, ressuscita com Cristo e com ele começa vida totalmente nova. 
Renunciar às coisas da terra não significa senão, como explicará logo em seguida, destruir aquela parte do homem que pertence à terra: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria’. Este trecho constitui um apelo para nos mantermos corajosos, embora reconhecendo que ainda estamos muito longe da semelhança perfeita com o Pai que está nos céus. Somos homens novos, mas nos renovamos progressivamente.
 
EVANGELHO — LUCAS 12: A situação diante da qual Jesus se encontra foi criada porque alguém tentou praticar uma injustiça, e um outro corre o risco de ser vítima da mesma. 
Ao invés de resolver um caso particular, Jesus prefere ir até a raiz do problema: ‘Guardai-vos escrupulosamente de toda a avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende das suas riquezas’. Eis a causa de todos os males: a ganância pelos bens materiais, a vontade de acumular coisas! 
Estas desavenças sempre surgem quando nos esquecemos de uma verdade elementar: os bens deste mundo não pertencem ao homem, mas a Deus, que os destinou para todos os homens. Quem acumula só para si, quem quer se abarrotar de bens mais do que necessário, sem pensar nos outros, quem se deixa conduzir pela sua insaciável ganância, inverte todo o plano do Criador. 
Os bens, então, já não são considerados como um dom de Deus, mas como propriedade do homem. Invariavelmente, então, transformam-se, de objetos preciosos, em ídolos para serem adorados.
Quando as energias de todos os homens estiverem comprometidas para aumentar não o ‘meu’ ou o ‘seu’, mas o ‘nosso’, estarão eliminadas todas as causas das guerras, das discórdias, dos problemas de herança. Os tesouros deste mundo são ingratos: não nos acompanham na outra vida. Só o amor é eterno.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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