Todo pai tem que conversar com seus filhos . Na correção ou no elogio, sempre quer ensinar algo para o bem deles. Deus, nosso Pai, também age exatamente assim. Vamos refletir sobre as mensagens contidas nas Sagradas Escrituras reservadas para este domingo. Eis: Gênesis 18 (Primeira Leitura), Colossenses 2 (Segunda Leitura), Lucas 11 (Evangelho).
PRIMEIRA LEITURA — GÊNESIS 18: A leitura de hoje nos ensina como Deus gosta de falar conosco. Certo dia — diz a história — Deus revelou a Abraão que queria ir até Sodoma para verificar se era verdade o que se dizia sobre a maldade de seus habitantes.
Abraão, que tinha um sobrinho morando naquela cidade, fica preocupado e começa a interceder para que a cidade seja poupada, por causa dos justos que moram nela. Dirige-se a Deus e fala de amigo para amigo. A sua oração não é a repetição de fórmulas decoradas ou lidas em livros, não é um ‘blá-blá-blá’ de palavras repetidas distraidamente. É diálogo espontâneo e sincero.
SEGUNDA LEITURA — COLOSSENSES 2: Se nos arquivo de um juiz houvesse algum documento escrito que provasse as nossas transgressões contra as leis do Estado, nós não ficaríamos sossegados. Saberíamos que, em qualquer dia, esse documento poderia ser usado para a nossa condenação.
Contra nós, diz São Paulo, havia no céu um livro, no qual estavam registradas todas as nossas dívidas, que eram em verdade, muitos elevadas. O que fez Jesus? Pegou este livro, picou-o em mil pedacinhos, pregou-o na cruz.
EVANGELHO — LUCAS 11: Eis a mais bela de todas as orações! O Pai-nosso não é uma fórmula de oração superior às outras; é uma síntese de toda a mensagem cristã. Nas orações reflete-se o conteúdo da própria fé e a imagem do Deus no qual se acredita. Com efeito, não é suficiente rezar. É preciso também saber como rezar. Por isso, Jesus ensinou a seus discípulos uma oração, que deve servir como modelo. Disse-lhes ele, então: ‘Quando orardes, dizei:
‘Pai’. O cristão sabe que seu Deus não é um patrão exigente, um juiz severo do qual se deve ter medo.
‘Santificado seja o vosso nome’. Os nossos hinos, as nossas incensações, as nossas cerimônias, solenes nada dão a Deus. O seu nome é glorificado quando a sua salvação alcança o homem.
‘Venha o vosso Reino’. Nossas súplicas não modificam Deus, mas modificam o nosso coração e o tornam disponível para dar acolhida à sua salvação. A oração acelera a santificação do nome de Deus e a vinda do seu Reino, porque transforma o coração do homem.
‘Dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento’. O Cristão precisa do pão, de todas as coisas necessárias à vida: alimento, roupa, casa, saúde. O milagre da oração é outro: lembra-nos que devemos procurar o ‘pão’ não só para nós mesmos, mas para todos, e nos comunica disposição e vontade renovadas para consegui-lo.
‘Perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos’. O cristão não pode esperar ser ouvido por Deus se não cultivar sentimento de amor para com os irmãos. Não se trata só de esquecer o mal recebido. Não pode fazer sua oração se sabe que alguém tem algo contra ele e não faz o possível para reconciliar-se.
‘E não nos deixeis cair em tentação’. As aflições ou as perseguições podem nos fazer tropeçar ou entrar em crise; as preocupações da vida e a ilusão dos bens podem sufocar a semente da palavra de Deus.
A oração cristã sempre é atendida mas nossa experiência parece não confirmar isso. O motivo para nem sempre sermos atendidos é simples: não sabemos orar. Orar significa sair das trevas de pensamentos e paixões, para imergir em Deus.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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