A celebração da Ascensão do Senhor não se restringe à recordação solene da volta de Cristo ao Pai, Ele que vai para o céu e senta à direita de Deus, mas é o momento em que se explica o Filho como fonte do Espírito. Eis os textos sagrados reservados para hoje: Atos dos Apóstolos 1 (Primeira Leitura), Efésios 1 (Segunda Leitura), Lucas 24 (Evangelho)
Primeira Leitura — Atos dos Apóstolos 1: A narrativa dos Atos dos Apóstolos nos traz a questão apresentada pelos discípulos: ‘Senhor, será agora que vai restaurar a realeza em Israel?’ Para entender melhor esta questão, precisamos saber que os primeiros cristãos esperavam a volta do Senhor Ressuscitado para breve. Entretanto, Jesus lhes diz: ‘Não lhes compete conhecer a hora, mas o Espírito Santo virá e lhes dará força para serem minhas testemunhas até os confins da terra’. Não é preciso conhecer a hora da volta do Senhor, porque agora começa o tempo da Igreja em que os discípulos terão de dar testemunho de Jesus. Mais que isso: recordar que, por meio da ação da Igreja no mundo, vivificada pelo Espírito, o Senhor poderá ser visto regressar de junto de Deus. Promessa garantida de cumprimento por duas testemunhas celestes. O tempo da Igreja começou e por meio dela, sacramentalmente, o Senhor sempre se faz presente.
Segunda Leitura — Efésios 1: Na segunda leitura de hoje, ouvimos São Paulo falando sobre as grandezas que o Pai fez em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o assentar a sua direita nos céus. A ascensão do Senhor significa a elevação de Cristo à glória eterna, assim como dizemos no Credo: ‘Subiu aos céus, está sentando à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos’. Pela ressurreição, Jesus foi estabelecido Senhor do Universo. Ele participa do poder de Deus.
São Paulo diz que, no fim dos tempos, Cristo entregará o Reino a seu Pai, para que Deus seja tudo em todos. Aquele julgamento, a volta de Cristo, nós chamamos de ‘parusia’. O Ressuscitado está com o Pai, mas está também conosco, na sua Igreja. Assim como ele foi visto subindo aos céus, será visto também ao retornar ao seio dos seus, não somente no fim dos tempos mas como antecipação, por meio de cada gesto dele que a Igreja recordar.
Evangelho — Lucas 24: Lucas é o evangelista da alegria. No trecho de hoje, que constitui a conclusão do Evangelho, encontramos um último apelo à alegria: ‘Os discípulos voltaram para Jerusalém com grande júbilo’. O primeiro motivo pelo qual os discípulos estão felizes, embora não tenham mais ao seu lado, em forma visível, o Mestre, é que eles entenderam que ele não permaneceu, como pensavam os seus inimigos, prisioneiro da morte. Mostrou, deste modo, que tudo o que acontece na terra: sucessos e fracassos, injustiças, sofrimentos e até os fatos mais absurdos, como os que ocorreram com ele, não estão fora do plano de Deus.
Jesus não foi para um outro lugar, não se afastou, permaneceu na companhia dos homens. A sua maneira de estar presente não é a mesma, mas não é menos real. Antes da Páscoa ele também estava condicionado a todas as limitações às quais nós estamos sujeitos. Agora se encontra na glória do Pai e poder estar junto de cada homem, sempre. Eis o segundo motivo da alegria dos discípulos e de todos nós.
No Evangelho do domingo passado Jesus garantia aos apóstolos que lhes enviaria o seu Espírito. Hoje repete a promessa: ‘entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto’. Nós temos certeza de que Jesus não nos abandonou, temos certeza de que ele está conosco sempre, e todos os dias.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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