Deus mora em nós


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A Palavra de Deus neste domingo retira do nosso pensamento uma ideia errada que muitas vezes possuímos sobre a presença ou ausência de Deus na nossa vida. Torna-se bem claro que quando temos ações enraizadas na bondade significa que Deus está em nos e transforma o mundo ao nosso redor.
 
Primeira Leitura — Atos 15: Na igreja primitiva havia dois grupos, cristãos vindos do judaísmo e cristãos vindos do paganismo. As relações entre eles não eram tranquilas. As tensões eram fortes em algumas comunidades. Até a Eucaristia era celebrada em separado. A questão era esta: os judeus, que tinham abraçado a fé, exigiam que pagãos, que também aderiram a Cristo, cumprissem disposições da Lei do Antigo Testamento e dos rabinos.
A mensagem contida nesta leitura é fundamental. A tentação de seguirmos o mesmo modo de agir dos judeus, isto é, de impormos as nossas tradições, se repete também conosco em nossos dias. Quem anuncia o Evangelho deve distinguir com clareza a essência da mensagem de Jesus e o invólucro cultural com o qual a mesma se reveste. Numa questão tão complicada talvez possa ser útil uma regra muito simples: o cristão deve abandonar tudo o que é claramente contrário ao Evangelho.
 
Segunda Leitura — Apocalipse 21: O livro do Apocalipse se destina a cristãos que enfrentam perseguições. Para infundir-lhes coragem, o autor revela o que ocorrerá no fim dos tempos. No trecho de domingo passado ele considerava o povo de Deus sob a figura de esposa muito bonita. Neste domingo a compara a maravilhosa cidade, descrevendo todas as características dos muros, alicerces, as doze portas distribuídas pelos quatro lados.
O sentido é: o povo de Deus está aberto para o mundo nas direções sul e norte, ao oriente e ao ocidente. Então, acolhe todos os homens, elimina qualquer separação, rejeita tudo o que divide e discrimina. Nesta cidade não existe o templo, e isto é muito significativo. No céu não haverá mais ritos, nem cerimônias, nem práticas religiosas: o homem não precisará mais de mediações. Encontrará Deus face a face! A maldade, o sofrimento e as trevas já não existirão mais.
 
Evangelho — João 14: A primeira afirmação de Jesus é esta: ‘Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada’. O que quer dizer então que Jesus e o Pai estabelecem sua morada em nós? Quer dizer que nós, depois de termos escutado a palavra do Evangelho, recebemos a vida de Deus e nos tornamos capazes de realizar as mesmas obras de Jesus e do Pai: nós também nos tornamos libertadores dos homens.
No versículo seguinte, Jesus promete o Espírito Santo, o ‘consolador que ensinará e recordará’ tudo o que lhes tinha dito. Jesus garante que seus discípulos sempre encontrarão respostas às próprias indagações, respostas em harmonia com seus ensinamentos, se souberem prestar atenção às suas palavras e mantiverem o próprio coração aberto aos impulsos do Espírito.
A segunda função do Espírito será a de ‘recordar’. Há palavras de Jesus que, embora estejam gravadas no Evangelho, correm o risco de ser postas à margem, esquecidas com facilidade. Eis, então, que o Espírito intervém para ‘lembrar’, para evocar à mente dos discípulos o que Jesus disse: ‘Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam...’
Na última parte encontramos a promessa da paz: ‘Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá’. A paz prometida por Jesus viceja onde se estabelecem entre os homens relações novas, onde a vontade de competir, de dominar, de ocupar os primeiro lugares cede lugar ao serviço e ao amor desinteressado pelos últimos.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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