A figura de Jesus ‘bom pastor’ garante segurança para todos que nele creem e esperam. O bom pastor segue suas ovelhas e quer que todas estejam no seu rebanho. Meditemos sobre a Sagrada Escritura que a Igreja hoje proclama: Atos 13 (Primeira Leitura), Apocalipse 7 (Segunda Leitura), João 10 (Evangelho)
Primeira Leitura — Atos 13: A Liturgia da Palavra começa hoje com trecho extraído da narrativa da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé. Num sábado chegam a Antioquia da Pisídia e, como costumavam fazer, entram numa sinagoga dos judeus e começam a anunciar a Boa Nova de Jesus. Muitos são tocados pelo chamado de Deus e escolhem o caminho da vida. Contraria, porém, os judeus.
A resistência que os da Pisídia opõem à aceitação da novidade proposta por Paulo e Barnabé é a mesma que todos nós experimentamos em face da mudança de vida que Deus nos propõe e espera de nós.
Sentimo-nos mais amparados quando seguimos nossos velhos hábitos, quando seguimos as nossas tradições, mas nosso Deus não gosta de monotonia. Quantos cristãos identificam a própria fidelidade a Deus com práticas externas com a monótona repetição de fórmulas, gestos de cerimônias! Discípulo de Cristo é aquele o segue com entusiasmo.
Se Jesus e os apóstolos foram perseguidos, não é de admirar que também em nossos dias os pregadores do Evangelho não encontrem sossego.
Segunda Leitura — Apocalipse 7: Quantas dores, quantas angústias, quantas amarguras na vida do homem! O livro do Apocalipse dedica quatro capítulos a esse problema. O Vidente do Apocalipse nos convida a pôr fim ao pranto: o Cordeiro — diz ele — nos abrirá o livro e romperá um a um os selos, desvendando os mistérios de nossa vida. A leitura revela o que acontecerá com a ruptura do sexto selo: surge uma imensa multidão que ninguém consegue contar.
Todos estão de pé diante do trono do Cordeiro, vestes brancas e palmas nas mãos. A veste branca simboliza alegria e inocência, palmas são sinal de vitória. Mas, quem são? São as que, neste mundo, suportaram tribulações e perseguições, deram a própria vida pelos irmãos, como fez o Cordeiro. Foi escrita para estimular os cristãos perseguidos a perseveraram com paciência.
Evangelho — João 10: Boa parte da terra de Israel é montanhosa e apta à atividade pastoril. Deus é chamado de ‘Pastor de Israel’: conduz seu povo como um rebanho, trata-o com amor e desvelo e o conduz a pastagens abundantes e fontes de água cristalina. O quarto domingo da Páscoa é conhecido como o ‘domingo do Bom Pastor’. A liturgia propõe uma passagem do capitulo décimo de João, no qual Jesus se apresenta como o ‘verdadeiro pastor’.
Não se apresenta como aquele que acaricia com ternura a ovelha ferida, mas como homem enérgico, robusto e decidido que luta contra bandidos e contra animais selvagens. Jesus é o ‘bom pastor’ porque não tem medo de lutar. Dá a própria vida pelo rebanho que ama. Como alguém se torna membro do rebanho que segue a Jesus? O que acontece com as ovelhas fiéis? O Evangelho revela que a iniciativa de segui-lo não é nossa. É ele quem nos chama: ‘as minhas ovelhas escutam a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem’.
Não é fácil confiar em Jesus, pois ele não promete sucessos, vitórias, como outros pastores fazem. Exige o dom de si mesmo, a renúncia à busca desenfreada do próprio interesse. Pede o sacrifício da própria vida em favor dos irmãos.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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