Acreditar sem provas


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Hoje celebramos o segundo domingo da Páscoa. A célebre figura de Tomé ilumina os ensinamentos da Palavra de Deus. Vamos aos textos sagrados reservados para hoje, e a reflexões sobre os ensinamentos que contêm para nossas vidas: Atos 5 (Primeira Leitura), Apostolo 1 (Segunda Leitura), João 20 (Evangelho).
 
Primeira leitura — Atos 5: A primeira comunidade cristã de Jerusalém era viva: ‘eles estavam habituados a viver juntos’. A fé cristã não pode ser vivida na solidão. A segunda característica dos primeiros cristãos era serem pessoas estimadas. A vida daqueles dos que abraçaram a fé era diferente da vida dos demais homens. A terceira característica é a forte atração que a comunidade primitiva exercia sobre todos: ‘cada dia mais aumentava a multidão dos homens e das mulheres que acreditavam no Senhor’.
O que é que estimulava tantos a tornarem-se discípulos de Cristo? Os gestos executados pelos apóstolos são os mesmos que Jesus executava; ações em favor do homem: cura de doentes, libertação para quem está oprimido pelo mal ou que vive em estado de infelicidade. Aí está a prova de que Jesus está vivo e que comunicou aos discípulos a sua mesma força renovadora!
 
Segunda leitura — Apóstolo 1: O autor, que se identifica como João, diz que está em Patmos, ilha do mar Egeu. Foi desterrado por causa de sua fé em Cristo e, provavelmente por sua recusa em prestar culto ao imperador. João vê alguém semelhante a um filho do homem no meio de sete candelabros, vestindo longa túnica branca até aos pés, cingido com cinto de ouro.
O Filho do Homem é o Senhor ressuscitado. A longa túnica que era a veste dos sacerdotes do templo significa que Jesus é agora o único sacerdote. O cinto de ouro que traz era o símbolo da realeza. Jesus, portanto, é apontado como o único rei. Os sete candelabros representam o conjunto das comunidades cristãs. O sentido desta cena é o seguinte: o Senhor ressuscitado, e não o imperador, é o centro da adoração de todas as comunidades cristãs. É ele o rei que as conduz e governa com a sua palavra. É ele o sacerdote que, dando a própria vida, oferece o único sacrifício agradável a Deus.
 
Evangelho — João 20: O texto está dividido em duas partes que correspondem às aparições do Ressuscitado. Na primeira, Jesus comunica aos discípulos seu Espírito e lhes dá poder de vencer forças do mal. Na segunda é relatado o famoso episódio de Tomé. A dúvida de Tomé se tornou proverbial. Será, porém, que só ele teve dúvidas? Todos duvidaram. João escolhe esse apóstolo como símbolo das dificuldades dos discípulos para acreditar na ressurreição de Jesus. O que João quer dizer é que o Ressuscitado tem vida que não pode ser apalpada com as mãos e nem vista com os olhos. Só pode ser objeto da fé. Também vale para os apóstolos, embora tenham tido experiência única do Ressuscitado.
O caminho que todos os discípulos são chamados a percorrer é apresentado por João: ‘Jesus fez ainda muitos milagres na presença dos discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, e para que, acreditando, tenhais a vida’. Ecoa a voz do Pastor. Para suas ovelhas o som é suficiente para que o reconheçam e o sigam.
Mas onde é possível escutar essa voz? Os discípulos se encontram reunidos em casa. Quando todos os que crêem estão reunidos, eis que aparece o Ressuscitado.Naquele momento Jesus se manifesta vivo aos discípulos. Quem, como Tomé, abandona os encontros da comunidade, não pode fazer a experiência do Ressuscitado. Quem no dia do Senhor permanece em casa, mesmo que seja para rezar sozinho, pode certamente fazer a experiência de Deus, mas não a do Ressuscitado, porque este se faz presente onde a comunidade está reunida.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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