Amor de Jesus


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O Domingo de Ramos é o portal da Semana Santa. Nessa Semana somos convidados a pensar sobre uma tentação que nos persegue: a vontade de crucificar nossos irmãos com nossas palavras e ações.
 
Primeira Leitura: Isaías 50: Na leitura de hoje aparece a figura do Servo. É ele mesmo que fala e conta o que aconteceu com ele: foi surrado, insultado, esbofeteado, cuspiram no seu rosto; mas ele não reagiu: continuou confiando no Senhor. Ouvindo esta leitura, espontaneamente somos levados a fazer uma comparação entre o que aconteceu com este Servo e aquilo que os soldados de Pilatos fizeram a Jesus.
 
Segunda Leitura: Filipenses 2: A comunidade de Filipos era muito exemplar: Paulo sentia orgulho por ela. Entretanto, como acontece também em nossos dias nas melhores comunidades, em Filipos também surgiram algumas invejas entre os cristãos. Havia sempre alguém pretendendo sentir-se superior aos demais, querendo se impor, mandar, decidir, dominar sobre os demais. 
É por causa desta situação que Paulo, na sua carta, recomenda: “Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos”. Para conseguir gravar mais profundamente no coração dos filipenses este ensinamentos, Paulo continua a sua exortação, apresentando o exemplo de Jesus Cristo.
 
Evangelho: Lucas 22: Todos os evangelistas dedicam um espaço muito amplo para a narrativa da paixão e morte de Jesus. No seu Evangelho Lucas não perde nenhuma oportunidade para destacar a bondade e a misericórdia de Jesus. Da mesma forma como Marcos e Mateus, também Lucas afirma que, depois de haver renegado o Mestre na casa do sumo sacerdote, Pedro saiu para fora e desatou a chorar. Só Lucas, porém, nota que o Senhor, voltando-se, olhou para Pedro. Lucas quer ensinar aos cristãos que não se devem desencorajar diante das fraquezas e dos pecados.
Todos sabemos de cor a narrativa da instituição da Eucaristia: é repetida em cada celebração da missa. Talvez, porém, nem todos saibamos que Lucas é o único que relata este mandamento do Senhor: “Fazei isto em memória de mim”. “Fazei isto em memória de mim” é um convite para fazermos também nós esta mesma escolha. Onde iremos buscar a força para cumprir a vontade de Deus? O próprio Jesus no-lo indica: na oração.
Qual é a doença, qual é o câncer que corrói as nossas comunidades? É a ganância por ocupar os primeiros lugares, de estar acima dos outros, de mandar. É dessa fonte que surgem as invejas, as críticas, as fofocas mais mesquinhas, as divisões, as discórdias no seio das famílias cristãs.
Lucas é o evangelista que, mais do que os outros, fala das mulheres que, durante a vida pública, acompanham o Mestre. É também o único a registrar que, ao longo do caminho para o Calvário, Jesus encontra um grupo de mulheres que choram e batem no peito. Elas não são responsáveis por aquilo que está acontecendo, choram pelo pecado cometido pelos outros. Todos os evangelistas relatam que Jesus foi crucificado no meio de dois criminosos.
No começo do Evangelho de Lucas, Jesus aparece no meio dos pastores: os últimos, os desprezados, os impuros de Israel. Em seguida passa a sua vida pública cercado pelos publicanos, pelos pecadores, pelas prostitutas. E no fim, com quem morre? Com os santos? Não! Também no fim, e era de se esperar ele se encontra no meio de quem mais ele amou: os pecadores.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral, vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br 
 

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