Pai da Misericórdia


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Neste último domingo da Quaresma, a liturgia da Palavra insiste no perdão e na misericórdia, mostrando que devemos perdoar e dar nova chance àqueles que pecaram e se arrependeram, porque Deus faz isso conosco todos os dias.
 
Primeira Leitura: Isaías 43: Nós todos passamos por momentos de crise. As paixões, os maus hábitos, os nossos instintos, os nossos sentimentos, as nossas reações, o nosso temperamento intratável às vezes nos envolvem e nos dominam. Tentamos até melhorar, mas no fim entregamos os pontos, desanimamos e acabamos concluindo que não vale a pensa lutar, pois a situação não vai melhorar mesmo. É o que pensavam os israelitas, derrotados e humilhados, na Babilônia.
A resposta de Deus a estas angustiantes indagações nos é dada na leitura de hoje. Deixai de recordar o passado lembra Deus aos israelitas, deixai de remoer as coisas antigas, como se eu não pudesse repeti-las! Estou para realizar uma obra muito mais extraordinária do que a de antigamente! Mas o que é que vai fazer o Senhor? Ele libertará o seu povo da escravidão da Babilônia reconduzi-lo-á à sua terra. Deus não se esquece do homem. Ele não agiu somente no passado, ele continua agora manifestando o seu amor, realizando obras extraordinárias.
 
Segunda Leitura: Filipenses 3: O cristianismo exige um coração jovem, em condições de aceitar as novidades. Jesus era jovem, não se limitava a repetir as coisas ensinadas pelos rabinos do passado. É difícil romper com o passado de uma hora para outra. Imaginemos como é difícil renunciar ao modo de pensar que assimilamos desde a infância, segundo o qual consideramos lógico, normal e certo, acumular bens materiais e administrá-los sem remorsos, buscar vantagens para si mesmos, competir com os outros em vez de servi-los, guardar rancor pelas desfeitas recebidas, gozar a vida sem qualquer preocupação pelas necessidades dos demais. Contudo bem sabemos estas atitudes não são compatíveis com a nova vida que Cristo pediu aos seus discípulos.
 
Evangelho: João 8: Uma mulher é descoberta e não estava rezando o terço. A lei punia o adultério com a morte. Encontraram Jesus no Pátio do Templo, sentado, cercado por muitas pessoas que o escutavam com atenção. Arrastaram a mulher no meio da multidão e com olhares cheios de segundas intenções, lhe perguntaram: ‘Mestre, a lei manda apedrejar mulheres como esta: tu, o que dizes?‘ Jesus não respondeu. Inclinou-se e começou a rabiscar no chão. O que escreveu ele? Nada! Fez como nós, quando nos é dirigida alguma pergunta boba ou maliciosa: não respondemos, ficamos olhando de um lado para outro, rodamos nervosos algum objeto entre os dedos, cantarolamos alguma melodia que nos passa pela cabeça.
Jesus não quis abandonar aquela mulher que os ‘defensores da moralidades publica‘ já consideravam um troféu, uma presa que lhes pertencia. Por isso, ergueu a cabeça e disse: ‘Quem dentre vós estiver sem pecado atire a primeira pedra‘. A partir desse momento, os presentes já não se sentiam mais a vontade: tinham sido desmascarados, sua hipocrisia fora posta às claras.
Se Jesus não julga e não condena, quer dizer então que o pecado não significa nada? De modo nenhum! O pecado é um mal muito grave que infelicita e destrói a vida de quem o pratica. Jesus não diz à mulher: ‘Vai em paz, fizeste bem em trair teu marido, continua fazendo assim...! mas lhe diz: ‘para com isso, não peques mais, para não estragar a tua vida por um instante de prazer‘!‘
Ninguém detesta o pecado mais do que Jesus, porque ninguém ama o homem mais do que ele. Entretanto não condena a pessoa que errou e não autoriza ninguém a atirar pedras, para não acrescentar mais males aos que o pecador já cometeu.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral, vigário geral – segantin@comerciodafranca.com.br 
 

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