Neste terceiro domingo da Quaresma, a Palavra de Deus coloca diante de nós exemplos importantes de pessoas e de acontecimentos, para ajudar na nossa conversão. Vamos aos textos sagrados reservados para hoje: Êxodo 3 (Primeira Leitura), 1ª Carta aos Coríntios 10 (Segunda Leitura), Lucas 13 (Evangelho).
Primeira Leitura — Êxodo 3: Se um homem sem fé dirigisse aos cristãos esta pergunta: ‘Quem é Deus?’, receberia as respostas mais variadas. Se fizesse a mesma pergunta a qualquer israelita, receberia, ao invés, uma única resposta: ‘Nós éramos escravos no Egito e Deus veio liberta-nos’.
O trecho apresenta-nos Moisés, que está pastoreando no deserto do Sinai. Enquanto lida com o rebanho do sogro, no monte Horeb, Deus lhe diz: ‘Eu vi a aflição do seu povo que está no Egito e ouvi os seus clamores por causa dos seus opressores’.
Moisés entende que o Senhor precisa dele. Percebe que ele veio para tirá-lo dessa vida simples e tranquila que está vivendo há alguns anos. Deus é sempre aquele que é sensível aos gritos de quem sofre, que continua sendo o ‘libertador’.
Segunda Leitura — 1ª Carta aos Coríntios 10: A comunidade de Corinto é bastante fervorosa. Entretanto, há algumas coisas negativas: discórdias, imoralidades, invejas. Alguns desses cristãos acham que é suficiente o batismo para terem certeza da própria salvação. Paulo percebe que os cristãos de Corinto estão se embalando nessa perigosa ilusão.
O mesmo pode acontecer aos cristãos. Devem lembrar-se de que os benefícios de Deus não operam de maneira automática e quase mágica. Não basta ter acreditado em Cristo, ter sido batizado, ter recebido o Espírito, ter-se alimentado da Eucaristia. É preciso levar vida coerente. Caso contrário, os cristãos também poderão perder-se, como aconteceu aos israelitas no deserto.
Evangelho — Lucas 13: A realidade social, política e econômica do nosso povo nos interpela. Não podemos omitir-nos, isolar-nos, observar do lado de fora como espectadores indiferentes. Mas como agir? As atitudes e as palavras de Jesus nos oferecem pistas valiosas.
Na primeira parte da passagem nos são relatados dois acontecimentos históricos: crime cometido por Pilatos e o desabamento de uma torre ao lado da piscina de Siloé. Alguém vai contar a Jesus o acontecimento. Jesus surpreende seus interlocutores exaltados e exacerbados. Não perde a serenidade, não profere palavras imprudentes.
Preocupa-se, antes de mais nada, em excluir qualquer relação entre a morte daquelas pessoas e os pecados cometidos por elas. Em seguida, convida todos para que aprendam uma lição a partir desse episódio: deve ser considerado — ensina ele — como apelo à conversão.
O apelo de Jesus à conversão é um convite a mudarmos a nossa maneira de pensar. Quando devemos executar esta mudança? Jesus responde a essas perguntas na segunda parte do Evangelho de hoje, com a parábola da figueira.
O ensinamento da parábola é claro: daquele que ouviu a mensagem do Evangelho, Deus espera frutos saborosos e abundantes.
A parábola é um convite para considerar esta Quaresma como um tempo de graça, como um novo ‘ano precioso’ que é concedido para que a figueira produza frutos.
Se ainda não decidimos converter-nos, modificando nossos pensamentos, nossos projetos, nossas atitudes, chegou a hora de fazê-lo.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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