Neste segundo domingo da Quaresma temos, à nossa o tema da Transfiguração e seus desdobramentos em nossa vida. Quando nós nos convertemos, transfiguramos o humano que há em nós e revelamos nossa parcela divina. Leituras de hoje: Gênesis 15 (Primeira Leitura), Filipenses 3 (Segunda Leitura), Lucas 9 (Evangelho)
Primeira leitura — Gênesis 15: O sonho de todos os nômades do deserto é o de possuir terra na qual a água não seja tirada dos poços, mas caia do céu. Abraão é um desses. Partiu de um país distante e, durante anos, se deslocou de um lugar para outro, como um retirante sem rumo.
Já está velho e não tem filhos. Sua vida parece fadada ao fracasso, mas, num certo dia, recebe uma revelação do Senhor, prometendo-lhe as duas coisas que ele sempre desejou, mas nunca conseguiu: um pedaço de chão e uma descendência numerosa como as estrelas do céu.
É a primeira vez que na Bíblia se atesta que um homem teve fé em Deus. Abraão manteve esta confiança sem limites no seu Deus. A leitura de hoje descreve a resposta do Senhor a esta fé; depois de ter feito a sua promessa. Deus cumpre um rito para sancioná-la. A promessa de Deus foi feita sem qualquer condição: ele não exigiu nada em troca.
As promessas de Deus feitas ao homem são sempre e inteiramente gratuitas. Ele é como marido fiel e generoso que repete para a sua mulher: ‘mesmo que tu me atraiçoes, eu te amarei em qualquer circunstância e sempre’.
Segunda leitura — Filipenses 3: Quando ouvimos falar dos ‘inimigos de Cristo’ talvez sejamos levados a pensar nos ateus, nos membros das seitas religiosas, nas pessoas devassas. Mas no trecho da carta de Paulo que lemos hoje, os ‘inimigos de Cristo’ são, ao invés, alguns cristãos da comunidade de Filipos.
Estes diz o apóstolos consideram como deus o próprio ventre, para eles a própria ignomínia é causa de envaidecimento e só tem prazer no que é terreno. Neste ponto nós nos perguntamos: o que devemos fazer para sermos ‘amigo da cruz de Cristo’?
Os amigos da cruz de Cristo renunciam a uma forma de vida egoísta, pois sabem que são como estrangeiros nesta terra, viajores, nômades como Abraão, a caminho de uma nova realidade.
Evangelho — Lucas 9: A passagem é interpretada como breve antecipação da experiência do paraíso, concedida por Jesus a reduzido grupo de amigos, com o objetivo de prepará-los a suportar as duras provas da sua paixão e morte. Lucas é o único que revela o motivo da ida de Jesus à montanha: vai lá para orar. .
Durante um desses períodos espiritualmente intensos que Jesus, com clareza, toma consciência de que foi escolhido para salvar os homens não pela vitória, mas da derrota. Durante a oração o rosto de Jesus muda de aspecto e é coberto pelo esplendor, sinal da glória que envolve pessoa unida com Deus.
Durante a experiência espiritual de Jesus, aparecem Moisés e Elias. Simbolizam a Lei e os Profetas, isto é, todo o Antigo Testamento. E os três discípulos: Pedro, Tiago e João, não entendem o que está acontecendo. São dominados pelo sono.
As três tendas significam o desejo que Pedro tem de parar para perpetuar a alegria experimentada num momento de intensa oração na companhia do Mestre. Nuvens, quando baixam no cume de monte, na linguagem bíblica, indica a presença de Deus. Da nuvem sai voz; é a interpretação de Deus sobre o que aconteceu. O Pai reconhece em Jesus o ‘eleito’, servo fiel no qual ele se compraz. Quem quer agradar a Deus é convidado a seguir suas pegadas. No fim da passagem, Jesus fica sozinho. A palavra de Cristo agora é suficiente para o homem.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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