Neste primeiro domingo da quaresma, a liturgia nos conduz a uma espécie de deserto para sermos tentados. Somos levados a avaliar a nossa vida neste tempo de revisão de vida e reparação de nossos pecados. Eis os textos sagrados reservados para hoje: Deuteronômio 23 (Primeira Leitura), Romanos 10 (Segunda Leitura), Lucas 4 (Evangelho).
Primeira Leitura — Deuteronômio 26: Na primavera, quando o trigo já estava maduro e os pomares começavam a produzir os seus frutos. Os Israelitas recolhiam num cesto os primeiros produtos e os levavam ao sacerdote no templo. Ao oferecê-los ao ministro de Deus, o agricultor proferia as seguintes palavras: Reconheço que estes frutos não me pertencem, são um presente do Senhor: desenvolveram-se na terra que o Senhor me deu. Neste ponto começa o trecho que lemos na primeira leitura: o sacerdote recebia o cesto, colocava-o diante do altar do Senhor e em seguida, enquanto permanecia de pé e em devoto silêncio o piedoso agricultor israelita fazia a sua profissão de fé.
Com esta cerimônia e com estas palavras o israelitas proclamavam a fidelidade de Deus ás suas promessas e reconheciam que a vida deles dependia totalmente da sua generosidade: tudo o que possuíam era um presente de Deus. Os frutos oferecidos no templo não eram queimados no altar, eram consumidos pelos representantes de Deus: os pobres.
Há um fato que pode ser constatado por todos: os lugares de oração constituem sempre um ponto de referência para os pobres. Este texto do Deuteronômio nos lembra que não é suficiente a profissão de fé, não é suficiente uma religião constituída de ritos, de belos cânticos, de palavras bonitas; é preciso que, como resultado das nossas orações, os pobres possam mostrar-se alegres.
Segunda Leitura — Romanos 10: Também nesta, como na primeira leitura, exige-se fazer uma profissão de fé. O camponês, que apresentava as primícias do seu campo, proclamava diante do altar e do sacerdote do templo, as grandes obras que o Senhor tinha realizado em benefício do seu povo. Da mesma forma o cristão ensina Paulo é chamado a anunciar a todos os homens o sinal mais sublime da benevolência de Deus, a maior obra de salvação cumprida por ela: a ressurreição de Jesus.
Evangelho — Lucas 4: Todos os anos, no primeiro domingo da Quaresma, a liturgia nos leva a refletir sobre as tentações de Jesus. Mostra-nos o modo como o Mestre as enfrentou para nos indicar como nós também as podemos reconhecer e superar.
A primeira tentação: ‘Ordena a esta pedra que se torna pão!’. Esta tentação se apresenta, também para nós, todos os dias. Vem como um convite a isolamento egoísta dentro de nós mesmos, excluindo os outros; ou como insinuação para recusarmos aquela atitude solidária assumida por Cristo.
A segunda tentação: ‘Dar-te-ei todo esse poder e a glória desses reinos, porque me foram dados’. Cede-se a esta tentação quando a autoridade, ao invés de ser posta a serviço da comunhão, torna-se um espaço em que se celebra a própria superioridade, quando se é intolerante para com aqueles que fazem escolhas diferentes das que se fez, quando se procura o apoio de quem detém o poder político, quando se faz aliança com quem acumula dinheiro sem escrúpulos.
A terceira tentação: A proposta do demônio é de fato baseada na Bíblia: ‘Lança-te do alto do pináculo do templo’. O objetivo mais importante do maligno não é o provocar algum desvio moral, alguma fraqueza, alguma falha, mas o de corroer os fundamentos das relações com Deus. Jesus nunca cedeu a esta tentação. Mesmo na horas mais dramáticas recusou-se a exigir do Pai qualquer prova do seu amor. Não duvidou da sua fidelidade.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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