A liturgia deste domingo é estritamente vocacional, pois trata diretamente do chamado de Deus. Através dos textos sagrados reservados para hoje — Isaías 6 (Primeira Leitura), 1ª Carta aos Coríntios 15 (Segunda Leitura), Lucas 5 (Evangelho) — somos também chamados a refletir sobre o cuidado do Senhor em nos preparar à transmissão de sua Palavra.
Primeira Leitura — Isaías 6: Há experiência na nossa vida que não podem ser reveladas com palavras. Isaías não viu ‘uma aparição’, mas narra, sob a forma de visão, a sua experiência interior. Certo dia, talvez enquanto estava rezando no templo de Jerusalém, percebe que o Senhor o chama para ser seu profeta. Fica perturbado. Entende que é uma escolha do Senhor Deus do universo, do Onipotente, daquele que tem o seu trono no céu e é assistido pelos serafins que cantam sem cessar: ‘Santo, Santo, Santo’! Tem plena consciência de sua própria fraqueza e da própria indignidade, e tem medo da missão que lhe é confiada.
Deus, porém, não se apavora diante do pecado. Ele tem o poder de purificar o homem e torná-lo apto a transmitir a sua mensagem. Esta experiência dolorosa, mas salutar e purificadora, é vivida por todos aqueles que entram em contado com a palavra de Deus.
Segunda Leitura — 1ª Carta aos Coríntios 15: Em Corinto, muitos tinham abraçado o Evangelho como uma sublime doutrina moral. Entretanto, mesmo entre os cristãos, havia muitos que relutavam em acreditar na Ressurreição. Paulo reage com firmeza contra esta deturpação da verdade central da mensagem cristã.
Lembra, depois, aos cristãos de Corinto, a profissão de fé proclamada em todas as comunidades: ‘Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras’.
Evangelho — Lucas 5: Um dia, estava Jesus à margem do lago de Genesaré. Para poder ensinar às multidões que se comprimiam ao redor dele, sobe à barca de Simão e, dela, anuncia a palavra de Deus.
Em seguida pede a Simão para conduzir a barca até águas mais profundas e escuras. Ali, lhes indica lançar as redes.
Simão lhe responde, contrariado, que essa ordem lhe parece absurda. Não se trata da hora mais adequada para pescar, mas, ainda assim, demonstra confiança na palavra de Jesus, e lança as redes. Quanto as torna, viu que apanhou grande quantidade de peixes.
Diante do que aconteceu ele fica assombrado. Atira-se aos pés do Mestre e confessa-se uma pecador, indigno de estar ao lado dele. Jesus, porém, lhe diz: ‘ Doravante serás pescador de homens’. A narração termina com estas palavras: ‘E eles deixaram tudo e o seguiram’.
A missão de ser ‘pescador de homens’, portanto, não é dirigida só a Pedro, mas a todos os que estavam com ele, isto é, a todos os discípulos. O motivo principal pelo qual Lucas nos narra este episódio é o de explicar aos discípulos de suas comunidades que a missão que devem cumprir neste mundo é exatamente aquela que o Mestre confirmou: são chamados a serem ‘pescadores de homens’.
Esta missão não é confiada só aos padres, mas a toda a comunidade cristã. Ela tem a responsabilidade de mostrar que é possível construir uma sociedade fundada em novos princípios, os princípios do perdão, da partilha dos bens, do serviço recíproco, do absoluto respeito pelos outros.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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