Neste domingo, a ênfase da liturgia da Palavra recai sobre as dificuldades da missão e os meios para superá-las, destacando o chamado e o envio, elementos característicos do início do tempo comum. Vamos às leituras sagradas reservados para hoje: Jeremias 1 (Primeira Leitura), 1ª Carta aos Coríntios 12 (Segunda Leitura), Lucas 4 (Evangelho).
Primeira Leitura — Jeremias 1: Talvez Jeremias não tenha nem vinte anos quando percebe chamado de Deus para ser profeta. É jovem bom, sensível, inteligente. Deus o escolhe para missão difícil e arriscada: anunciar sua Palavra a reis, governadores, sacerdotes e ao povo. Como será a vida de Jeremias? Será uma sequência de fracassos. Por que se dará desta forma? Será assim porque o profeta contempla o mundo com os olhos de Deus. Energia irresistível, divina, o impele a erguer sua voz para denunciar o pecado, as opressões, a exploração, as violências e a incompetência daqueles que conduzem o povo à ruína completa.
Na segunda parte da leitura Deus anuncia a Jeremias o que lhe acontecerá. Não o engana, não lhe promete uma vida fácil. Será — lhe diz o Senhor — como um soldado acorrentado pelos inimigos, como uma fortaleza cercada por um exército sedento de sangue.
A leitura termina com palavras de esperança e de conforto. O Senhor anuncia como cuidará de Jeremias: ‘Serás atacado, mas não conseguirão vencer-te, pois estarei ao teu lado para proteger-te’.
Segunda leitura — 1ª Carta aos Coríntios 12: Em Corinto, conforme já vimos nas leituras dos domingos anteriores, havia discórdia e inveja por causa dos carismas. Depois de ter afirmado que todos os dons provêm do Espírito e se destinam à edificação da comunidade, Paulo indica para os cristãos um caminho mais excelente que todos: a caridade.
O que ele nos quer ensinar é que a caridade é o maior dom de Deus e é acolhido pelas pessoas de maneira progressiva. O trecho começa entoando um hino de louvor à caridade. Afirma que a caridade é superior a todos os outros dons. A caridade é comparada aos outros carismas. Esses acabarão, não serão mais necessários, serão esquecidos como brinquedos de crianças que, depois de certo tempo, não divertem mais e são abandonados. A caridade, ao invés, será eterna, permanecerá para sempre.
Evangelho — Lucas 4: O trecho de hoje deve, ser interpretado como o prelúdio que apresenta o destino do Mestre e anuncia o drama da sua morte na cruz. Os seus adversários se recusam a aceitá-lo porque se sentem perturbados pela sua mensagem, pela sua nova interpretação da palavra de Deus. Jesus não veio a este mundo para resolver os nossos problemas com o impacto de milagres. Não salva o mundo através de prodígios, mas com o anúncio do seu Evangelho, com a doação da própria vida. O milagre é a sua Palavra: ela é que produz os milagres, que transforma a vida das pessoas, das famílias, das comunidades e cria um mundo novo.
Os habitantes de Nazaré entendem perfeitamente onde Jesus quer chegar: quer dar a entender que a salvação que Deus traz não é um privilégio exclusivo de Israel. O último versículo: ‘E Jesus, passando no meio deles, retirou-se’, é um motivo de conforto para aqueles que, como Cristo, anunciam a todos uma mensagem de alegria, de libertação, de esperança.
Encontrarão oposição, estarão sujeitos a calúnias, a perseguições, mas protegidos por Deus, passarão no meio dos seus agressores e prosseguirão — como o Mestre —, e com segurança, suas caminhadas.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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