Um começo de ano que já merece retrospectiva


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“O neurótico constrói um castelo no ar. 
O psicótico mora nele. O psiquiatra 
cobra o aluguel”

Jerome Lawrence, dramaturgo americano
 
 
 
Nem começamos o ano direito, janeiro ainda mal completou sua primeira metade. Até que 2016 seja tempo passado, teremos outros 350 dias a percorrer, com direito a Carnaval, julgamento do processo de impeachment da presidente, Olimpíadas no Rio, eleições municipais, além dos desdobramentos da operação Lava Jato e da crise econômica que assola o país. Ainda assim, esses primeiros 5% já mereceriam uma retrospectiva.
 
Para começar, a própria existência do mundo como conhecemos está bem mais ameaçada com a notícia de que o ditador norte-coreano Kim Jong Un fez outro teste nuclear. Desta vez, teria conseguido detonar uma assustadora Bomba H, um modelo que funciona a partir da fusão de átomos de hidrogênio e tem potencial destrutivo inúmeras vezes superior a uma bomba atômica — e milhares de vezes mais forte do que qualquer artefato convencional. Louco como ele só, Kim Jong Un é um perigo crescente. Infelizmente, não é o único. 
 
Na Indonésia, um grupo extremista ligado ao Estado Islâmico se inspirou nos ataques de novembro em Paris para perpetrar atrocidade semelhante em Jacarta, a capital do país, mas em menor escala. Atacou uma Starbucks, feriu 20 pessoas e matou 2. Tudo ao som de “Allahu Akbar” (Deus é Grande, em árabe), o mantra que inspira esses fanáticos.
 
Na Venezuela, o motorista de ônibus e dublê de presidente, Nicolas Maduro, resolveu decretar “estado de emergência econômica”, instrumento através do qual poderá, pelos próximos 60 dias, confiscar bens, propriedades, fábricas, veículos e o que bem entender, de quem quiser, para “restaurar a normalidade”. Pode? Na Venezuela, pode. 
 
No Esporte, a faxina na Fifa continua. Nestes primeiros dias do ano, foi a vez do secretário-geral da entidade, Jérome Valcke, aquele mesmo que em 2012 disse que os organizadores da Copa do Mundo no Brasil precisavam levar um pontapé na bunda, ser demitido por corrupção. A principal acusação: comandar um esquema de desvio de ingressos para os jogos da Copa no Brasil que deixou um rastro de milhões de dólares em prejuízos. 
 
Valcke não foi o único do mundo da bola a estar envolvido em noticiário ruim nestes últimos dias. O brasileiro Neymar vai ter que depor, junto com seu pai, na investigação em que é suspeito de manobras ilícitas no processo de transferência do Santos para o Barcelona. Para completar, o craque brasileiro ainda perdeu a disputa de melhor jogador do ano. Ganhou Lionel Messi, pela quinta vez.
 
Se não deu para Neymar, deu para o desconhecido Wendell Lira, que defendendo as cores do ainda mais desconhecido Goianésia, no campeonato goiano, fez em março do ano passado o gol que lhe garantiria o “Prêmio Puskas”. A jogada toda é linda e a finalização, voleio com meia-bicicleta, uma obra de arte. A cerimônia de premiação contou com participação de Kaká, que surgiu na noite de gala calçando um sapato de Franca. Um modelo da Amsterdan, todo artesanal, feito à mão.
 
No Brasil, a presidente Dilma Roussef começou o novo ano com discurso bem antigo. Em todas as entrevistas que concedeu, repetiu que a CPMF, o famigerado imposto do cheque, é a única alternativa que vê para conseguir recursos e tirar o país do buraco. Disse que vai se esforçar para aprovar o novo imposto que, obviamente, será pago por nós. Michel Temer, o vice que havia enviado uma carta para a presidente com toda sorte de mágoas e desaforos, agora diz que se “arrependeu”. Enquanto isso, o barganhódromo segue acelerado, com farta distribuição de cargos e outros acenos para qualquer congressista que vote contra o impeachment.
 
Em São Paulo, o pau quebrou nos protestos contra o aumento da tarifa de ônibus. As manifestações, organizadas pelo MPL (Movimento Passe Livre), até que começaram pacíficas, mas logo black blocs se misturaram aos protestos para fazer o que sempre fazem: destruição do patrimônio público e privado. Alguns comportamentos de policiais militares contribuíram para piorar a tensão e, outra vez, o Centro de São Paulo acabou transformado em praça de guerra.
 
Aqui em Franca, chove tanto que se alguém relatar ter visto a arca de Noé nem poderá ser considerado louco. Nestes primeiros dias de 2016, o volume de chuva foi 13 vezes maior do que no mesmo período do ano passado. Até agora, apenas num dia de 2016 não choveu em Franca, cenário que se repetiu em grande parte da região. Absurdo dos absurdos, em Delfinópolis, uma das cidades mais castigadas pela estiagem recente, o acesso às balsas ficou comprometido pelo lamaçal e muitos carros atolaram por lá. De um jeito ou de outro, a população de um dos principais destinos turísticos da região acabou penalizada.
 
Tudo isso sem falar na queda da bolsa chinesa, na morte de David Bowie; na quase-vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro; na explosão de ciúmes de Ivete Sangalo e o seu “Quem é essa aí, papai?” que viralizou na internet; no incênio do Guarujá, no concurso da Carochinha da prefeitura de Franca que oferece mais de 50 cargos mas não contrata ninguém; no atraso para definição de quem vai organizar a Expoagro...
 
Faltam 95% do tempo para 2016 terminar. Do jeito que as coisas vão, precisaremos de muito fôlego  — e doses cavalares de calma e tranquilidade  — para chegar inteiros a 2017. Uma coisa é certa: emoção não vai faltar. Haja coração...
 
 
Corrêa Neves Júnior, diretor executivo do GCN 
email - jrneves@comerciodafranca.com.br

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