O vinho da alegria


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Um casamento não pode ser triste. A Palavra de Deus, neste domingo, explica como fazer para ter sempre ‘alegria’ na vida a dois, mesmo enfrentando situações desgastantes do dia a dia da conviência. Os textos sagrados reservados para hoje são Isaías 62 (Prmeira Leitura), Iª Coríntios 12 (Segunda Leitura), João 2 (Evangelho)
 
Primeira Leitura — Isaías 62: Qual é o amor mais sublime que une duas pessoas? É o amor do esposo e da esposa. Eis porque Deus, para descrever seu imenso amor pelo povo de Israel, não podia deixar de utilizar exatamente esta imagem do amor conjugal.
 
No trecho do profeta Isaías, relatado na leitura resrvada para este domingo, Jerusalém é comparada a uma esposa, chamada com nomes estranhos: a ‘Abandonada’, a ‘Devastada’.
 
Os israelitas, ao voltarem do exílio da Babilônia, encontraram Jerusalém reduzida a um montão de ruínas e pensaram que já não havia mais nada a fazer. Estavam convencidos de que Deus a repudiara para sempre. 
 
O amor de Deus, porém, não é inconstante e frágil como o amor dos homens. Não obstante as traições, ele nunca repudia a esposa. O profeta conhecia estes sentimentos do Senhor. Exatamente por isso prometeu ao povo desanimado: Jerusalém receberá um nome novo. Será chamada: ‘a minha predileta’.
 
Segunda leitura — Iª Coríntios 12: ‘Carisma’ significa ‘dom gratuito de Deus’, portanto é uma coisa muito boa; mas a leitura de hoje nos mostra que na comunidade de Corinto reinava uma confusão grande e muito séria, justamente por causa dos carismas.
 
Por quê? Porque, em vez de coloca-los a serviço da unidade da comunidade, alguns os usavam para aparecer, para impor-se, para mostrar-se superiores aos demais. Por causa dos carismas tinham surgido invejas, ciúmes, discórdias.
 
Há muitos carismas. São diferentes, mas todos procedem do único Pai, do único Espírito e de Cristo. Ninguém está privado dos dons de Deus: a cada um é comunicado um carisma. Para quê? ‘Para o bem comum’, para que esse carisma seja colocado a serviço dos irmãos.
 
Os carismas não têm todos a mesma importância. Como podem ser classificados? A importância não é medida pelo prestígio, mas pela utilidade que proporcionam à comunidade.
 
Evangelho — João 2: Num vilarejo da Palestina celebra-se festa de casamento. Estão presentes os convidados, que se reuniram para passar alguns dias felizes. Surge, porém, uma surpresa desagradável: não há vinho e nem mesmo água, pois, conforme a narrativa, as talhas estão vazias. O vinho, na Bíblia, antes de tudo é o símbolo da felicidade e do amor. 
 
No tempo de Jesus, Israel está à espera do Reino de Deus. Este Reino, porém, parece estar ainda muito longe. O povo está desanimado, como se estivesse celebrando uma festa de casamento sem vinho.
 
As bodas de Caná sem vinho representam essa situação do povo desiludido, insatisfeito. João coloca este ‘sinal’ no começo de seu Evangelho porque é uma síntese de tudo o que Jesus fará depois. É ele o esposo que celebrará as núpcias com a humanidade.
 
Nós vivemos no tempo das núpcias eternas. Jesus apagou para sempre a religião da tristeza. Com efeito, o trecho do Evangelho deste domingo conclui que Jesus, ao proporcionar o seu ‘vinho’, manifestou a sua glória: ele se sente glorificado não pelos nossos louvores, mas pela felicidade das pessoas.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - seganti@comerciodafranca.com.br

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