A coragem dos humildes


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Muitas vezes nos enganamos diante das pessoas humildes. Sabe por quê? A essas não damos grande valor. Entretanto, elas são fortes e resistentes. É Deus quem as fortalece. Vamos às leituras sagradas reservadas para este domingo: Miquéias 5 (Primeira Leitura), Hebreus 10 (Segunda Leitura), Lucas 1 (Evangelho), e os ensinamentos que contêm, para nossas vidas
 
Primeira Leitura — Miquéias 5: No tempo de Miquéias a situação política, social e econômica de Israel era calamitosa. Por toda parte há sinais de violência. O rei Ezequias é um bom homem, mas as suas qualidades administrativas são muito limitadas. A quem se referia Miquéias? Com certeza pensava num rei deste mundo, mas Deus realizou a sua profecia infinitamente além de qualquer expectativa humana. 
Deixou passar mais setecentos anos e, de uma mulher, Maria, fez nascer o anunciado filho de Davi. Este filho, Jesus, nós o sabemos não foi orgulhoso e arrogante como os seus antepassados, mas cumpriu o que está escrito na segunda parte da leitura: foi um bom pastor que guiou Israel com a força do Senhor e deu início ao mundo novo.
 
Segunda leitura — Hebreus 10: No trecho da Carta aos Hebreus que nos é proposto hoje, encontramos as palavras proferidas por um homem que no templo agradece a Deus por ter sido libertado de uma doença mortal. O autor da Carta aos Hebreus continua dizendo que Cristo cumpriu em si mesmo as palavras deste salmo. Ele não ofereceu nenhum sacrifício material, mas disse ao Pai: ‘Eis que venho para fazer a tua vontade’.
 
Evangelho — Lucas 1: O Evangelho não é uma coleção de informações, escritas para satisfazer a curiosidade do leitor, mas é um texto de catequese. Tem como objetivo alimentar a fé do discípulo e quer conduzir à compreensão sobre quem é aquele Jesus ao qual somos chamados a dar nossa adesão.
Os judeus daquele tempo, como também os dos nossos dias, ao se encontrarem, trocam entre si uma única saudação: ‘Paz’. A paz sintetiza o acúmulo de todos os bens que Deus prometeu ao seu povo. Nos lábios de Maria a palavra ‘paz’ é uma solene proclamação de que chegou ao mundo o esperado Messias e que com ele teve início o reino de paz anunciado pelos profetas. As palavras que Isabel dirige a Maria: ‘Bendita és tu entre as mulheres’, não são novas. Aplicando a Maria essa frase, Lucas quer afirmar que também ela pertence à categoria dos instrumentos fracos e simples através dos quais Deus realiza suas obras de salvação. 
Através de Maria ele realizou o acontecimento mais extraordinário da história: deu aos homens o seu próprio Filho. Desde que Deus decidiu fazer-se homem, já não estabelece sua morada em construções de pedra, num templo, num lugar sagrado, mas no seio de uma mulher. O Filho de Maria é o próprio Senhor.
Qual pode ser o ensinamento para nós? Carregar o Senhor dentro de si não é um privilégio reservado só a Maria. Cada uma das nossas comunidades, cada um de nós deve ser, como Maria, ‘arca da aliança’. 
A nossa missão é a de levar o Senhor para os homens. É preciso ter muita coragem para acreditar que se realizarão as promessas feitas por Deus aos construtores da paz, aos que não praticam a violência, aos que oferecem a outra face, aos que não se vingam, aos que doam a própria vida por amor. Maria nos ensina que vale a pena confiar sempre nas palavras do Senhor.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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