Deus nunca nos castiga. Nós nos auto castigamos pelas escolhas erradas que fazemos. Quando abrimos o coração para Ele, fazemos uma experiência muito especial: ficamos alegres no dia a dia. Sentimos seu amparo: eis que Deus vem nos anunciar neste domingo.
Primeira leitura — Sofonias 3: Ai de Jerusalém, cidade rebelde! Assim começa o terceiro capítulo do livro de Sofonias, de onde se extrai a primeira leitura deste domingo. Este profeta viveu num dos períodos mais difíceis da história de Israel. Em Jerusalém todos estão imersos na corrupção: o rei, os sacerdotes, os profetas, os juízes; o povo abandonou a fé e traiu o seu Deus.
Que fazer em tal situação? Sofonias não encontra alternativas: começa por ameaçar catástrofe. Depois, eis que surge a profecia relatada em nossa leitura. Dirigindo-se ao seu povo, proclama: ‘Exulta de alegria, filha de Sião; alegra-te e rejubila de todo o teu coração!
Por que o profeta abandona as ameaças e passa a convidar à alegria, serenidade, confiança? A razão é o Senhor revogou a condenação. Jerusalém não será castigada, não conhecerá mais a desventura.
A ira de Deus não se desencadeia contra o pecador, mas contra o pecado. Deus não castiga os homens. São os próprios homens que, praticando o mal, castigam-se a si mesmo e ficam reduzidos a uma condição desastrosa, da qual não conseguem mais sair.
Segunda Leitura — Filipenses 4: Quando Paulo escreve sua carta para a comunidade de Filipos, encontra-se em Éfeso, na prisão, perseguido por causa do Evangelho.
Teria, pois, o apóstolo, todos os motivos para estar abatido, mas, no entanto, na sua carta volta, como um refrão, o convite para a alegria.
Na sequência, expõe seus planos de apostolado e retoma o tema da alegria: ‘no mais, meus irmãos, alegrai-vos no Senhor!’ Por que insiste tanto na alegria? O motivo não é o sucesso na sua vida, a saúde em perfeito estado, a abundância de bens materiais, a falta de preocupações, mas a certeza de que ‘o Senhor está próximo.
Evangelho — Lucas 3: A primeira parte do Evangelho de hoje apresenta três grupos de pessoas que procuram o Batista para receber esclarecimentos concretos. Perguntavam-lhe: O que devemos fazer? Ele não aconselha nada de especificamente religioso, não sugere práticas de devoção. Ao povo diz: “quem tem duas túnicas dê uma a quem não tem, e quem tem o que comer faça o mesmo.” Enquanto existirem no mundo desigualdade e riquezas escandalosas ao lado da miséria e da fome, é inútil esperar que o Salvador possa manifestar-se. A seguir apresentam-se a João os publicanos. Quem são esses cavalheiros? São os que exercem a profissão mais odiosa do mundo: cobram impostos. A esses o Batista pede para que não maltratem do próprio cargo para explorar os mais pobres e indefesos. Os últimos que procuram o Batista para pedir sua orientação são os soldados. A esses o Batista pede que não maltratem ninguém e que se conformem com seus salários.
Na segunda parte do Evangelho de hoje o Batista retoma sua linguagem costumeira, dura, severa, quase intolerante. Falta da separação do trigo e da palha, e ameaça com a destruição no fogo inextinguível. Não são os pecadores, portanto, que devem ter medo, mas o pecado, cuja destruição é anunciada. Os pecadores só devem alegrar-se, pois para eles chegou a libertação do mal que os mantém escravizados.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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