A Igreja Católica inicia o tempo de Natal com o tempo litúrgico do Advento: é o período de preparação para celebrar o nascimento de Jesus. Vamos às Sagradas Escrituras reservadas para hoje, e ao que nos permitem aprender para seguirmos no caminho do Mestre: Jeremias 33 (Primeira Leitura), 1ª Carta dos Tessalonicenses 3 (Segunda Leitura), Lucas 21 (Evangelho).
PRIMEIRA LEITURA — JEREMIAS 33: O desânimo e o desespero acabam com qualquer entusiasmo que se exige para vencer dificuldades. Os israelitas, aos quais o profeta dirige as palavras desta leitura, se encontram mais ou menos em situação semelhante. Voltaram há pouco do exílio na Babilônia e encontraram Jerusalém em ruínas. Começa a reconstrução da nação, mas tudo segue a passos lentos.
Para este povo desanimado o profeta dirige mensagem de esperança: estão chegando os dias nos quais o Senhor cumprirá todas as promessas de bem que fez a seu povo. Na família de Davi surgirá rebento santo que estabelecerá paz e justiça na terra. Consegue infundir coragem no povo.
Também hoje passamos por situações semelhantes. Quem se deixa levar por desencanto e desânimo, quem foge ao ter que enfrentar problemas, quem é intolerante consigo mesmo e com os outros porque gostaria de transformações radicais e imediatas, não entendeu nada da lógica do Reino de Deus.
SEGUNDA LEITURA — 1ª CARTA AOS TESSALONICENSES 3: Paulo reconhece que os cristão de Tessalônica são excelentes, mas pede ao Senhor que os faça crescer ainda mais no amor recíproco. Ensina que é esse o caminho que conduz à santidade, e a única maneira de se manter vigilante para a vinda do Senhor. A busca da harmonia com todos os membros da comunidade e a prática do amor recíproco, que Paulo recomenda, não podem ser substituídas por nenhuma prática de devoção através da qual nos preparamos para o Natal.
EVANGELHO — LUCAS 21: As imagens apocalípticas usadas por Jesus não se referem a explosões de astros, choques catastróficos entre astros e planetas, mas falam do que acontece hoje. É neste nosso mundo que, por causa do pecado, do mal e da perversidade do homem, cria-se situação insuportável, e a vida se torna impossível. Em toda parte há opressão e injustiça; espalha-se ódio, violência, guerras e instalam-se condições desumanas. Tomados de angústia os homens se perguntam: “Qual será o nosso fim?”
Quando tudo parecer arruinar-se no pecado, virá o Filho do Homem com grande poder e majestade, e do caos fará surgir um mundo novo. Suas palavras, portanto, não são ameaça de infortúnio, não querem incutir pavor. São mensagem de alegria, apelo para abrir o coração à esperança: o mundo dominado pela injustiça, pela maldade, pelo egoísmo, pela arrogância está chegando ao fim, e um novo mundo está despontando.
O que fazer enquanto esperamos que a construção desse mundo novo seja completada? Antes de tudo, embora ainda seja grande a confusão, ninguém deve se deixar abater. Diante das forças do mal que parecem dominar o mundo, além do desânimo, existe o perigo da fuga, busca de paliativos, soluções enganosas.
A última exortação é para despertar a vigilância e estimular a oração. Alertando para a ‘vigilância’, Jesus nos convida a estarmos atentos para perceber, a toda hora, necessidades e pedidos de ajuda dos irmãos. Só quem reza é que tem condições de cultivar essa ‘vigilância’, e pode interpretar os acontecimentos alegres e tristes deste mundo, com os olhos de Deus.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.