Cristo é nosso rei


| Tempo de leitura: 3 min
A solenidade de Cristo Rei encerra o Ano Litúrgico. Por isso a celebração deste dia é uma grande profissão de fé no Senhor da história que caminha com seu povo. Os textos sagrados reservados para hoje são Daniel 7 (Primeira Leitura), Apocalipse 1 (Segunda Leitura), João 18 (Evangelho). Na Eucaristia, a Palavra de Deus tem alguns ensinamentos para nós. Meditemos:
 
Primeira Leitura — Daniel 7: O capítulo 7º começa dizendo que Daniel, numa visão noturna, contempla, saindo do mar, quatro grande animais: leão, urso, leopardo e por fim, um quarto animal assustador, medonho, de força descomunal, que tritura tudo com dentes de ferro. O próprio autor explica: são os grandes reinos que se sucederam no mundo e que oprimiram o povo de Deus.
O leão é Babilônia, o urso e o leopardo representam outros povos dominadores (a Média e a Pérsia). A quarta fera simboliza o reino de Alexandre Magno e de seus sucessores. Entre estes, um é extraordinariamente perverso: Antíoco IV, o perseguidor dos israelitas fiéis ao seu Deus. 
O vidente contempla outra cena grandiosa: no céu são instalados alguns tronos e um ancião (que simboliza o próprio Deus) senta-se, para o julgamento. A sentença é esta: os animais são privados do poder e a última é trucidada, destruída e atirada na fornalha.
Depois de tantas ‘feras’, eis que aparece um homem. Ele não representa um indivíduo singular, mas todo o povo de Israel que, depois da grande tribulação da qual foi vítima sob o reinado de Antíoco, recebe de Deus um reino eterno, que não conhecerá ocaso e nunca será destruído: é Jesus.
 
Segunda Leitura — Apocalipse 1: O livro do Apocalipse foi escrito em pequena ilha do mar Mediterrâneo por cristão que foi confinado por ter anunciado, com pregação e com a vida, o evangelho. Com essa sua obra, tem a intenção de infundir coragem aos irmãos de comunidade da Ásia Menor, ameaçada de dispersão por cruel perseguição. Começa lembrando verdade fundamental da sua fé: ‘Cristo é o príncipe dos reis da terra’
Quem são os membros que compõem esse reino? Os sacerdotes. Cada cristão é sacerdote porque apresenta a Deus o único sacrifício que lhe agrada: vida doada aos irmãos. Cada gesto de generosidade é exercício do próprio sacerdócio. Cristãos não devem se deixar dominar por desejo de vingança ou impulso de querer dominar pela violência, ainda que só verbal, aqueles que, talvez por ignorância, se opõem a Cristo.
 
Evangelho — João 18: Ao longo dos séculos confundiu-se o Reino de Cristo com os reinos deste mundo. É nesse sentido que Cristo é rei? O Evangelho descreve: Jesus está entregue à autoridade romana, sozinho, desarmado, não tem soldados que o defendam. É prisioneiro, abandonado até por seus amigos. É esbofeteado, vilipendiado.
Certamente não constitui perigo para o poder de Roma. Os reinos deste mundo têm características bem definidas: são conduzidos por homens movidos pela ambição das riquezas e do poder, baseiam-se no emprego da força e são defendidos por armas. O reino de Jesus não se identifica com nenhum desses.
Jesus não elimina ninguém. É ele que se apresenta para morrer; não manda nos outros, obedece; não faz alianças com grandes e poderosos, põe-se ao lado de humildes, daqueles que não têm valor nenhum. Possuir, conquistar, exterminar são, para os homens, provas de força; para Jesus são fraqueza e derrota. Grande, para ele, é aquele que serve.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catederal, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários