O exemplo das viúvas


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Neste domingo a Palavra de Deus faz um convite a todos: deixar o coração livre para ouvir Deus e praticar seus ensinamentos. Eis os textos sagrados reservados para hoje: Iº livro dos Reis 17 (Primeira Leitura), Hebreus 9 (Segunda Leitura), Marcos 12 (Evangelho. Vamos refletir sobre as lições nelas contidas .
 
Primeira Leitura — Iº livro dos Reis 17: Os habitantes de Canaã adoravam Baal, o deus que enviava a chuva e dava fertilidade à terra. No tempo de Elias quase todo o povo foi vítima das seduções deste deus e a apostasia foi geral. E qual foi o resultado? Ao invés das esperadas chuvas, houve seca prolongada; e em lugar de abundância de alimentos, houve carestia.
Os ídolos são assim: prometem muito, mas com pontualidade desiludem os que lhes prestam culto. Diante da falta de chuva e de calamidades, o rei Acab convocou os adivinhos e lhes pediu para fazer seus sortilégios a fim de descobrir responsáveis. O culpado foi imediatamente identificado: Elias. ‘É ele’, disseram os bruxos, ‘o autor da maldição’. O rei deu ordens para localizar o profeta e condená-lo à morte. É nessa fase da história de Elias que se insere o episódio da leitura de hoje. Para se livrar da ira de Acab, o profeta foge. Chega à cidade de Sarepta e encontra uma viúva, à qual restou só um punhado de farinha e um pouco de azeite.
Conhecendo sua situação desesperadora, o profeta inicialmente lhe pede um pouco de água. Enquanto a mulher se afasta, grita para ela: ‘Traze-me também um pedaço de pão!’ A viúva acredita nas palavras do profeta, oferece-lhe tudo o que tem e Deus abençoa sua generosidade proporcionando-lhe alimento para ela e ao filho durante todo o período da seca. Que ensinamentos podemos extrair. Inicialmente o fato põe em destaque a compaixão de Deus pelos pobres. O segundo ensinamento é este: Deus abençoa quem partilham seus próprios bens. A generosidade da viúva, que ofereceu tudo o que possuía a quem necessitava mais que ela, causa a multiplicação do alimento. O egoísmo provoca a fome, a nudez, a miséria.
 
Segunda Leitura — Hebreus 9: O trecho apresenta dois motivos pelos quais Jesus deve ser considerado como único e verdadeiro sacerdote. Os sacerdotes antigos ofereciam sacrifícios num templo material, construído de pedras. Cristo, ao contrário, cumpre seu ministério no céu, em santuário não construído pelas mãos do homem. Jesus ofereceu um só e perfeito sacrifício. Não derramou o sangue dos animais, mas doou o seu próprio. Com seu gesto de amor, destruiu definitivamente o pecado.
 
Evangelho — Marcos 12: O evangelho se divide em duas partes. A primeira apresenta o julgamento de Jesus sobre as pessoas mais respeitáveis da sociedade judaica de seu tempo: os escribas. A segunda contém exemplo de comportamento oposto: o gesto generoso de uma viúva. 
Quem eram os escribas? Eram especialistas no conhecimento dos preceitos do Senhor. O que tinha Jesus para verberar contra os escribas? Acima de tudo, não lhes tolerava a vaidade e a ambição, ou se sentirem superiores aos demais. Em contraposição aos escribas, a segunda parte apresenta exemplo de religiosidade autêntica: uma pobre viúva que liberta o coração dos bens deste mundo e doa tudo o que nada tem.
A primeira lição, a mais simples e imediata, é de humildade. Cristão não é o homem rico que possuindo muitos bens, pode dar generosas esmolas, oferecendo parte daquilo que lhe sobra. Cristão é aquele que, rico ou pobre, coloca à disposição dos irmãos ‘tudo’ o que possui. A lição mais importante: a viúva que oferece tudo é uma imagem de Deus, é uma imagem de Jesus Cristo que, como ensina Paulo, ‘sendo rico, se fez pobre’.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 

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