A Igreja medita neste domingo sobre a santidade que se faz presente, ao longo dos séculos, em homens e mulheres que optam por Deus. A Igreja é santa nos céus, mas o é também naqueles que, já aqui, deixam-se guiar pela radicalidade do Evangelho. As três leituras da Solenidade de Todos os Santos nos apresentam um fato: Deus, o Santo, quer fazer de nós imagens suas. A santidade não é uma realidade só para alguns, mas para todos. Vejamos as lições da Palavra de Deus para nós.
PRIMEIRA LEITURA — APOCALIPSE 7: Na primeira cena da leitura de hoje, o livro do Apocalipse vê os fiéis em meio a grandes provações. Sem livrá-los das dificuldades, Deus intervém em seu favor. Eles são marcados com ‘o selo do Deus, vivo’, identificados como ‘servos de Deus’. A marca que recebem é o batismo. Ele faz do cristão propriedade de Deus, e por isso é sinal que protege do juízo escatológico. Em seguida, o texto apresenta a visão dos eleitos no céu, aqueles que foram marcados com o selo. Eles são incontáveis, num número de grandeza incomparável, e provem de todas as partes do mundo.
SEGUNDA LEITURA — 1º CARTA DE JOÃO 3: A vida do cristão transcorre entre dois momentos; o agora e o que virá. O primeiro momento já é marcado pela realidade transcendente: somos realmente filhos de Deus. No Antigo Testamento, o povo de Israel aparece, embora raramente, como filho de Deus, mas num sentido simbólico. No Novo Testamento, não se trata de um símbolo, mas de uma realidade. O único Filho de Deus, Deus como Deus, fez-se humano. E por sua obra redentora deu-nos real participação na sua vida de Filho. O segundo momento é a vinda futura do Filho de Deus. Então aquilo que já somos filhos será levado á plenitude. Quando encontrarmos a Deus, sua divina face iluminará a nossa face.
EVANGELHO — MATEUS 5: As bem-aventuranças são palavras que ensinam os discípulos, anunciando-lhes promessas e mostrando-lhes o caminho do seguimento de Jesus. Os Santos são hoje bem-aventurados no céu, mas já começaram, pela vivência cotidiana dos valores das bem-aventuranças, a sê-lo nesta terra. Quem está com Jesus já participa, na sua vida concreta, da bem-aventurança prometida. A santidade da Igreja é uma realidade que acontece no interior de cada um. Cada um pode ter em si algo da santidade e algo do pecado. Bem-aventurados são, primeiramente, os ‘pobres em espírito’. Trata-se de saber renunciar às riquezas materiais, usando-as para o bem comum.
Essa atitude se expressa também na mansidão, que, não se impondo com prepotência, mas vivendo em espírito de serviço terá sua recompensa na outra terra. E naqueles que, aflitos, resistem ao mal sem fazer o mal e agem com a esperança posta em Deus em favor do restabelecimento da ordem querida por Deus. A eles estão ligados os que têm fome e sede de justiça, aqueles que sofrem sem verem seus direitos respeitados, mas têm já a certeza daquela justiça que nunca falhará.
Os misericordiosos são bem-aventurados porque deixam transbordar da riqueza de seu coração algo que o faz, imagem da infinita misericórdia de Deus, que para eles é reservada. Os puros são aqueles que podem estar diante de Deus sem máscaras, pois nada têm a esconder. Os que promovem a paz são os que vivem a reconciliação, que começa com Deus e dai, deve-se expandir para os relacionamentos e estruturas humanas.
Por fim, bem-aventurados são os perseguidos por causa da justiça, que mantém as medidas justas e não se dobram frente a medidas injustas.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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