No mundo existem muitas pessoas que enxergam com o coração porque nasceram sem enxergar. A pior cegueira é aquela que nos faz egoístas, desconfiados, prepotentes, inseguros, insatisfeitos com tudo e com todos. Vejamos o que Deus quer nos ensinar hoje.
Primeira leitura — Jeremias 3: Depois do convite para louvar o Senhor, entoar-lhe cânticos, o profeta imagina contemplar grupo que tem, no meio ‘cegos, coxos, mulheres grávidas e mulheres que deram à luz’. O que se poderia pensar de caravana do tipo? Quem se arriscaria a apostar um tostão no sucesso de viagem como essa? Deus, porém, não é igual aos homen, não abandona ninguém. Preocupa-se com as necessidades de cada um e mostra desvelo especial pelos pobres.
Os exilados representam todos aqueles que Deus chama de escravidão do pecado para a vida nova. Na última parte narra-se a volta dos prisioneiros evocando imagens do êxodo do Egito. As palavras de conforto do profeta nos devem trazer à memória que o caminho iniciado no batismo é comprometedor, mas ao mesmo tempo, repleto de alegrias. Não sejamos pessimistas.
Segunda leitura — Hebreus 5: Essa carta foi escrita cristãos de origem judaica que aderiram à fé em Cristo, mas ainda sentem saudade do templo de Jerusalém e das suas cerimônias. A tentação de voltar às práticas da religião antiga é muito forte. A passagem lembra as características dos sacerdotes que ofereciam sacrifícios no templo. Deviam ser escolhidos por Deus. Não podiam atribuir-se essa honra sem terem sido chamados pelo Senhor, como Aarão. Eram, além disso, homens, não anjos. Jesus tem essas duas características. Não atribuiu a si mesmo a glória de ser Sumo Sacerdote. Além disso é, realmente, homem. Passou pela experiência da dor e da tentação, e por esta razão pode compadecer-se dos nossos erros.
Evangelho — Marcos 10: Por três vezes, Jesus esclarece seus discípulos sobre sua viagem: vai a Jerusalém para doar sua vida. O evangelho deste dia no-lo apresenta quando está iniciando a subida para a cidade santa. Com ele, seus discípulos e grande multidão. Na intenção do evangelista, a narrativa é também uma parábola’, a do homem iluminado por Cristo. A cura de Bartimeu encerra a parte central do Evangelho de Marcos. O Mestre revela o objetivo da sua viagem: vai a Jerusalém não para conquistar um reino deste mundo, mas para oferecer a própria vida. Segui-lo significa partilhar sua escolha de sacrificar-se pelos irmãos. O primeiro passo em direção à cura ocorre quando se toma consciência da própria situação e se toma a decisão de sair dela. O encontro com aqueles que já seguem o Mestre é o primeiro passo em direção à luz. Até mesmo os seguidores de Cristo podem tornar-se obstáculo a quem procura a luz.
Há. também, hoje, cristãos que participam da vida da comunidade, não querem que o ‘Filho de Davi’ se interesse pelos indigentes, pelos necessitados, pelos marginalizados. Jesus escuta o grito de Bartimeu e pede que seja trazido à sua presença.
O cego dá um pulo, joga longe o manto e corre ao encontro daquele que pode lhe restituir a vista. Seu gesto evoca o dos catecúmenos das comunidades de Marcos no dia do batismo. Jogam longe as roupas velhas, a representar o que os impede de seguir o Mestre. Encerra-se com o diálogo entre Jesus e o cego. O Mestre solicita a cada catecúmeno que quer ser iluminado, que professe sua fé, que acredite naquele que pode lhe abrir os olhos. Quem se aproxima de Cristo não encontrará vida fácil, confortável, privilegiada.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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