Queremos ganhar sempre! Como é difícil servir! Não é fácil perder. Muitas vezes usamos as pessoas e das pessoas. Dizemos que somos amigos porque podemos ter vantagens e tratamos as mesmas pessoas de qualquer jeito quando já conseguimos tudo. É assim que Deus pensa também. Vejamos os ensinamentos da sua Palavra.
Primeira leitura — Isaías 53: O anseio dos homens é vencer, não perder; procuram ter domínio sobre os outros, não colocar-se a serviço dos outros. Deus tem ideias diferentes e, para educar o seu povo apresentou, desde o Antigo Testamento, o exemplo do ‘servo fiel’.
Na primeira parte da leitura aparece o aspecto humilde do ‘Servo’: é pessoa fraca, desprezada, derrotada. A segunda parte esclarece sobre a forma diferente como Deus avalia esse ‘Servo’. Aquilo que aos olhos dos homens é um fracasso, para Deus é um triunfo. Exatamente porque é vítima do ódio, da injustiça, da violência, o ‘Servo’ liberta os seus próprios perseguidores das suas iniquidade. Ele é a imagem perfeita de Jesus, que trouxe a salvação para os homens não com o domínio sobre eles, mas humilhando-se, prostrando-se diante deles para servi-los, doando-lhes a própria vida.
Segunda leitura — Hebreus 4: A passagem afirma que Cristo tem a capacidade de entender todas as nossas fraquezas porque ele foi tentado em tudo como nós; a única diferença é que, enquanto nós frequentemente faltamos com a fidelidade a Deus ele nunca foi vítima do pecado. A afirmação é motivo de grande conforto. Revela-nos um Jesus próximo, sensível a nossos problemas.
Evangelho — Marcos 10: Jesus caminha a Jerusalém: vai adiante dos discípulos em passadas rápidas e eles o acompanham temerosos. Por duas vezes, ele lhes explicou qual será o fim da sua viagem. Os discípulos revelam total incompreensão de suas palavras. Os dois irmãos, Tiago e João, se apresentam a Jesus e ousadamente lhe dizem: ‘Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedimos!’ Não pedem ‘por favor,’, mas exigem: ‘queremos’. Afirmam ter certeza que, no reino que Ele está para fundar, os primeiros lugares cabem a eles. Repete-se hoje: cristãos exemplares, disponíveis ao serviço dos irmãos, também estão sujeitos a querer se impor. Jesus não se mostra condescendente. Em relação a João e Tiago, é severo e duro: ‘Vós não sabeis o que pedis’.
A reação indignada dos outros dez também revela que estão longe de assimilar o pensamento do Mestre. Novamente Jesus toma a palavra e trata com clareza a questão das hierarquias no seio da comunidade cristã. ‘Sabeis’ — ensina ele — ‘que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas’.
A seus discípulos dá ordem clara e taxativa. ‘Entre vós, porém, não será assim. Nenhuma autoridade desse tipo pode servir de modelo’. O modelo a ser seguido — ensina Jesus — é o do servo que ocupa o nível mais baixo na sociedade, a quem todos dão ordens. Há outras atitudes condenadas severamente por Jesus: apresentar-se com ostentação, andar com roupas luxuosas, especiais, com pomposas condecorações para destacar-se perante os demais, pretender lugar de honra nas festas, exigir títulos de ‘Rabbi’, ‘Mestre’, ‘Pai’.
O trecho não diz respeito somente aos que ocupam cargos de responsabilidade, mas se destina a todos os discípulos. Todos os que querem seguir o Mestre devem comportar-se como ‘servos’.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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