Neste domingo a Palavra de Deus orienta nossa vida sobre a segurança que Deus oferece quando nos desapegamos das coisas deste mundo. Não é fácil. Entretanto, é possível. Eis os textos sagrados reservados à nossa reflexão de hoje: Sabedoria 7 (Primeira Leitura), Hebreus 4 (Segunda Leitura), Marcos 10 (Evangelho).
Primeira Leitura — Sabedoria 7: Salomão subiu para a montanha de Gabaon para oferecer sacrifícios e teve um sonho: podia pedir o que desejasse e lhe seria concedido. Teria podido pedir ouro, saúde, poder, força, mas, ao invés, disse a Deus: ‘não passo de um adolescente, não sei como governar povo tão numeroso. Dai-me, ó Senhor, a Sabedoria, coração sábio, capaz de discernir entre o bem e o mal.
A leitura de hoje é reflexão sobre essa escolha: preferiu a sabedoria de Deus a qualquer outro bem. Mas é verdade que para escolher sabedoria é preciso renunciar a todas as coisas maravilhosas da vida? O texto responde: junto com a sabedoria são também concedidos todos os outros bens. Quem analisa superficialmente pensa que seguindo a sabedoria de Deus, perde-se tudo o que traz prazer, mas não é verdade. Quem cultiva sabedoria nada perde. Aproveita tudo: encontra a verdadeira felicidade.
Segunda Leitura — Hebreus 4: A Palavra de Deus é muito diferente de divagações ocas. Tem cinco características. Antes de tudo, é viva e eficaz. A partir do momento que sai da boca do Senhor, produz resultados porque tem a vida e a força de Deus. Também é cortante e penetrante mais que espada afiada, rija, inflexível: penetra até o âmago de quem a escuta. Por fim, é também ‘juiz’ de nossas ações. Palavra que nos deixa tranquilos e sossegados, que não perturba, que não transforma a vida da comunidade, com certeza, não é a palavra de Deus. É só pura conversa.
Evangelho — Marcos 10: Jesus mostra aos discípulos a conduta exigida para poder segui-lo. É preciso ter coragem para desprender-se dos próprios bens. A narrativa contém diálogo de Jesus com jovem rico que se apresenta, prostra-se de joelhos diante dele e pergunta: ‘Bom Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?’ Não fala de conquistar, merecer, ter direito, mas de herdar a vida eterna. Herança não se ganha, não se recebe como prêmio, como remuneração por trabalho. É dada gratuitamente. Como resposta, Jesus o estimula a observar os mandamentos. Mas, afinal, boas obras são ou não são eficazes para nos adquirir méritos para o céu? A resposta do jovem rico é surpreendente: causa espanto que ele afirme com convicção, que observou todos os mandamentos desde a infância. João afirma que se quem diz que está sem pecado, é mentiroso.
Jesus, ao ouvir a resposta do jovem rico, fixa nele olhar carinhoso, afetuoso, porque percebe que seu coração está preparado para vôo mais alto. Então, lhe dirige convite: ‘Vai, vende tudo o que tens e distribui aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-me.”
Jesus retoma essa imagem para assinalar a inconsistência dos bens do mundo, para ensinar o modo de usá-los segundo o plano de Deus. Ele não condena a riqueza, mas a ansiedade em acumular fortunas de forma gananciosa. O ideal do cristão não é a pobreza, fome, nudez, mas a divisão fraterna dos bens que Deus pôs à disposição de todos. Pecado não é ficar rico, mas ficar rico só para si.
A segunda parte relata considerações de Jesus sobre perigos da riqueza. O desprendimento de tudo o que se possui exige ato de generosidade que só mesmo um milagre de Deus nos permite realizar.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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