A cada viagem que fazemos em direção a grandes cidades brasileiras, a decepção é cada vez maior. Há algum tempo, fazíamos entre duas e três viagens semanais para São Paulo e Rio de Janeiro. Acompanhamos, então, as alterações que foram ocorrendo nesses grandes centros populacionais. O processo de urbanização no Brasil se intensificou a partir da década de 1950, quando as atividades industriais se expandiram e atraíram cada vez mais pessoas em direção a metrópoles, provocando crescimento desordenado.
Ouvimos o falecido francano Amaral Gurgel dizer que ‘cidades deveriam ser planejadas de forma circular, em anéis,’ o que facilitaria a mobilidade urbana , e que, de forma nenhuma deveria ter mais que 500 mil habitantes. Segundo ele, a partir dessa população é muito difícil administrar. Na oportunidade achamos estranha sua tese, mas hoje entendemos a visão diferenciada que tinha aquele cidadão, nascido em Franca e criado uma montadora de carros nacionais — a Gurgel — na cidade de Rio Claro/SP.
As chamadas metrópoles brasileiras enfrentam problemas com moradia, desemprego, mobilidade urbana, desigualdade social, saúde, educação, violência e exclusão social. Acesso à moradia com infraestrutura (saneamento ambiental, asfalto, iluminação etc.) não atinge todas as camadas da população. É cada vez mais comum o surgimento e ampliação de favelas sem serviços públicos.
Moradia é, exatamente, um dos principais problemas das cidades. O programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ não é política de moradia; é política de impulsionamento da economia através do setor da construção civil, pelo impacto que produz. Incentivando construção civil, se impulsiona a economia, emprego e renda. Impulsionando emprego e a renda, se impulsiona o voto.
A política habitacional brasileira está muito ligada a interesses políticos de manter quem comanda o país no poder. Programas como esse fomentam a construção de habitações em determinados locais onde as condições não são exatamente aquelas que deveriam prevalecer em uma política habitacional orientada de maneira a promover o bem-estar urbano.
Conjuntos habitacionais são construídos em lugares que não são adequados, concentrando populações em bairros, colocando gente em lugares com pouco acesso ao bem-estar urbano, a exemplo da dificuldade de locomoção em direção ao trabalho, enquanto no centro das metrópoles proliferam prédios abandonados e semidestruídos contribuindo para que a cidade se torne mais feia e suja a cada dia. Então, se promove a moradia, mas não a cidade; estão atendendo a interesses políticos e interesses econômicos. A questão que fica é: o que a gente vai fazer com as ‘monstrópoles’ brasileiras? Nós precisamos com urgência de uma reforma urbana, no intuito de diminuir o tamanho das cidades, incentivando o desenvolvimento de cidades menores.
MARKETING POLÍTICO ANTECIPADO: O governo municipal anunciou que colocará proteções/defensas em pontos perigosos das rodovias ‘Tancredo Neves’, para Claraval; e ‘João Traficante’ sentido Ibiraci. Medida mais que necessária. Porém, semanas atrás, vereador nelas colocou placas anunciando as obras como se fossem dele e do prefeito. A propósito na serra de Claraval, havia defensas. Quando fizeram a terceira faixa, ‘desapareceram’. Senhores eleitores, não se iludam. A melhoria será feita através de nossos impostos, com nosso dinheiro.
INCÊNDIO CRIMINOSO: Em nosso país prevalecem formas arcaicas daqueles que não aceitam uma imprensa livre e investigativa. O atentado à Crazz, agência de publicidade do GCN teve o claro intuito de intimidar, mas tal fato nos dá mais força para a continuidade de bem informar.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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