Praticar o bem


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Deus vem ao nosso encontro para dizer-nos que as vezes nos sentimos tentatos a  desanimar, mas que nunca vai nos condenar por essa causa. Reforça em nós, a definição do  caminho da Fé. Vamos aos textos sagrados reservados para este domingo, e aos ensinamentos claros, para que não nos restem dúvidas: Números 11 (Primeira Leitura), Tiago 5 (Segunda Leitura), Marcos 9 (Evangelho).
 
Primeira Leitura — Números 11: Moisés, nos últimos anos da sua vida foi dominado por profundo desânimo. O Senhor então, lhe disse: ‘Escolhe 70 homens que estejam em condições de colaborar contigo: sobre eles farei descer o mesmo espírito que se encontrava em ti’. 
No dia marcado, os 70 homens escolhidos se reuniram na tenda onde Deus falava com Moisés, receberam o espírito e começaram a profetizar; tomados por estado de exaltação coletiva e falavam em nome de Deus. Havia dois anciãos, Eldad e Medad, que, embora não tivessem participado da cerimônia, também receberam o espírito e se tornaram profetas. Formou-se grande confusão!
O ensinamento está na reprovação do fanatismo. Fanatismo é comportamento perigoso. Também cristãos se tornam fanáticos. 
O Espírito não pode ficar encerrado nas fronteiras de nenhuma instituição. Deus está completamente livre e faz surgir o bem em qualquer parte. É como o vento: sopra para onde quer. Onde quer que haja o bem, amor, paz, alegria, ali está em ação o Espírito de Deus.
 
Segunda Leitura — Tiago 5: A Bíblia nunca usou palavras adocicadas em relação aos ricos. Por que tamanha indignação? Bens materiais não são uma coisa ruim. Tiago não está enfurecido contra a riqueza, não quer que seja destruída; condena apenas quem não divide com os irmãos, que usam só para si mesmos. A riqueza quase sempre é acumulada mediante prática de injustiças em relação aos mais fracos; é o resultado de opressão e prepotências, da exploração dos trabalhadores.
Portanto, excesso de riquezas é incompatível com a opção cristã. Os bens deste mundo pertencem a todos e não só a alguns. O Mestre afirmou isso claramente: ‘Quem não renunciar a seus bens não pode ser meu discípulo’.
 
Evangelho — Marcos 9: Não é fácil distinguir amigos e inimigos. Às vezes nos imaginamos sós, mas eis que aparecem companheiros generosos, sinceros e bem dispostos que nem conhecíamos. Como podemos distinguir quem está conosco e quem contra nós? João relata ao Mestre: ‘anda por aí perigoso rival que cura usando o teu nome: nós lho proibimos porque não é dos nossos, não nos segue’. Notemos: ‘não nos segue’. Não está escrito que não segue Jesus, mas que não segue a eles, os discípulos.
Orgulho e presunção causam nos apóstolos arrogância e sectarismo,  convicção de que são a referência para quem queira usar o nome de Jesus. Há, infelizmente, cristãos que ignoram o bem praticado por alguém que não pertence à Igreja, por alguém que não tem fé. Jesus fala, então, na hospitalidade, mas também pronuncia palavras duras contra quem escandaliza os pequenos.
Entende-se por escândalo qualquer obstáculo que dificulte a caminhada do discípulo. Os pequenos que não devem ser vítimas de escândalos não são crianças, mas as pessoas ainda fracas na fé, os que dão, com esforço e dificuldade, os primeiros passos em direção ao Mestre. Há por fim, a advertência ao escândalo provocado pela própria mão, pelo próprio pé, pelos próprios olhos. Quem não tem a coragem de ‘amputar’ com decisão essas ocasiões de pecado, corre o risco de ser atirado para a Geena ‘onde o verme não morre e o fogo não se apaga’.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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