A situação atualmente vivida pelos cidadãos brasileiros, em especial os leigos, é extremamente complicada. As pessoas desconhecem os fatos, não conseguem absorver, analisar e formar suas próprias convicções. Sofrem então, influência e manipulação de uma classe política que, de um lado luta com todas as forças para permanecer no poder e continuar utilizando-se de benesses que a estrutura administrativa lhes proporciona — altos salários e benefícios sem efetivamente trabalharem — e, de outro, políticos que já estiveram no poder e almejam retornar, muito mais para dar continuidade a seus propósitos de profissionais da política.
Dessa forma, como dito nesses quase vinte anos aqui escrevendo semanalmente e sustentando em palestras e aulas, passa do momento de modificações em toda a forma estrutural de vida em sociedade no Brasil. Muitos nos dizem ser utopia, mas esquecem-se que na história da humanidade, muitas das revoluções empreendidas nasceram do simples fato de que foram lançadas por alguém com ousadia e eficácia simbólica e, aceitas e absorvidas por grupos sociais coletivos ganharam existência real, incorporadas à vida social e se tornaram comuns em nosso meio de vida.
Reafirmando, na história da humanidade impérios caíram por ideias aparentemente singelas que se disseminaram pela boca do povo e os poderosos não conseguiram impedir para manter suas vantagens. Existe simbiose natural entre os sonhos que a sociedade almeja e as mudanças necessárias à ocorrência. Para ilustrar, reformas trabalhistas levaram mais de dois séculos para serem a incorporadas como valores humanos universais, e muitos anos mais para serem aplicadas como políticas públicas. Talvez essas idéias jamais teriam ocorrido se quem as lançou não tivesse sido condenado à forca por ‘suas extravagantes propostas’, em meio às arbitrariedades de Henrique VIII, na Inglaterra absolutista.
A possibilidade de idéias modificativas da moral, social e política ganham maiores possibilidades de êxito nos momentos conturbados de transição e de transformação quando a ‘velha ordem’ entra em colapso — como agora —, e o Estado não consegue resolver os problemas da vida em sociedade pelas fórmulas convencionais frente a desafios de novos tempos.
Esperamos que nos próximos anos surjam lideranças que atuem com ousadia, pensem no coletivo e não nas vantagens individuais, que possam exacerbar as diferenças entre o velho e o novo, o certo e o errado, a verdade e a mentira, o bem e o mal, a diminuição do Estado interventor, e que neutralize o materialismo e o radicalismo da sociedade de consumo cada vez mais narcísica, voltada apenas para os bens que produz. Também e principalmente, para conscientizar a sociedade de que a obsessão pelo dinheiro e a busca do sucesso a qualquer preço gera um humano reduzido à lógica da produção e do consumo, destruindo todas as formas de comunicação social e afetiva.
Pouco sobrou da família, da escola, do grupo de vizinhos, das sociedades de ajuda mútua etc. Hoje, para encontrar um namorado(a) ou parceiro(a) têm-se que recorrer a uma firma especializada, que analise tamanho, cor, preferências sexuais e profissão, porque a aproximação direta tornou-se risco. Sumiram as conversas entre irmãos, primos de primeiro grau (os de segundo grau nem se conhecem), os avós etc. Os amigos, então, são reciclados de tempos em tempos, dependendo das circunstâncias e de seus interesses imediatos comerciais e profissionais.
Enfim, sonhamos que o tempo dedicado com amor entre uns e outros não seja computado como desperdício. De nada adianta a indústria produzir produtos cada vez mais perfeitos se as novas gerações tornam-se adultos sujeitos a graves defeitos de ‘fabricação e formação’. Na verdade em busca do constante progresso estamos destruindo o nosso crescimento evolutivo espiritual, que é o objetivo central de estarmos aqui na Terra.
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
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