Jesus cura


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Com a graça de Deus estamos vivendo o ‘dia do Senhor. Sua Palavra nos chama à conversão do coração por meio de uma cura interior. Vamos às leituras sagradas escolhidas para nossa meditação e crescimento como cristãos, reservadas para hoje: Isaías 35 (Primeira Leitura), Tiago 2 (Segunda Leitura), Marcos 7 (Evangelho).
 
Primeira Leitura — Isaías 35: O profeta compõe esse oráculo e oferece a israelitas abatidos e desanimados que estão na Babilônia. Lembram-se de parentes, massacrados pelos soldados caldeus, de suas casas e lavouras, e se perguntam se um povo golpeado por tantas desgraças poderá recuperar-se. A resposta do profeta é mensagem de esperança: ‘Coragem! Não temais! O vosso Deus vem para vos salvar!’.
Mas, afinal, que promessa é essa? Deus está para entrar em ação em favor deles: as doenças serão curadas. Aparecerá a luz da salvação e prisioneiros voltarão à terra dos seus antepassados, suas pernas ficarão fortalecidas, escutarão a palavra do Senhor e a anunciarão a todos. Encerra-se com o anúncio de transformação para a terra que acolherá os israelitas: ‘o solo árido se transformará em nascentes de água’. As promessas começaram a se cumprir com a vinda de Jesus. 
 
Segunda Leitura — Tiago 2: ‘O rico comete injustiça e se põe a gritar: o pobre, ofendido, ainda deve pedir desculpas’. É a constatação da vida de todos os dias: ricos e poderosos desfrutam de privilégios e ninguém os condena... Na Bíblia, pobres não são só os que não possuem bens materiais, mas também os menos favorecidos, os doentes, os que não têm instrução, pessoas marcadas por fracassos, os marginalizados por causa de temperamento difícil... Todos esses deveriam ter lugar de destaque na comunidade cristã e serem merecedores de maiores delicadezas. Os discípulos de Cristo são chamados a provar que têm critérios de julgamento diferentes do adotados pelo mundo.
No nosso dia a dia é difícil praticar de forma concreta o sinal de fraternidade e de igualdade que celebramos quando estamos reunidos na assembléia sagrada para ouvirmos a Palavra de Deus e partirmos o pão eucarístico. Se não nos esforçamos para externar em público a fraternidade que celebramos na igreja, nossos rituais, nossas cerimônias, serão falsas.
 
Evangelho — Marcos 7: Quem é o surdo-mudo? É o impossibilitado de relacionar-se. Não pode ouvir e não pode transmitir o que não ouviu. No tempo de Jesus as doenças eram consideradas castigo de Deus, mas a surdez era maldição, já que não permitia escutar a Palavra de Deus proclamada nas sinagogas. Esse homem tem significado simbólico: representa os que têm ouvidos fechados à Palavra de Deus. Ao curar o surdo-mudo Jesus quis ensinar que teve início novo diálogo entre o céu e a Terra. A todos os homens, judeus e pagãos, são descerrados os ouvidos e o coração: agora todos podem escutar o evangelho, acolhê-lo na fé e anunciá-lo.
Hoje, somos ‘surdos’ quando tapamos os ouvidos a convites que Cristo nos dirige (talvez por um irmão da comunidade) para abandonar hábitos, modificar atitudes erradas, seguir caminhos de lealdade, bondade, generosidade. A cura operada por Jesus também representa sinal de encontro de diálogo, de compreensão. É surdo e mudo o que não se relaciona, persuadido que não já não tem mais o que aprender. O texto descreve o resultado da intervenção milagrosa de Jesus e se encerra com ‘coro’: a multidão canta sua alegria porque se cumpriu a profecia de Isaías: Deus fez os surdos ouvirem e os mudos falarem.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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