Encerrando o mês de agosto, a igreja no Brasil reza pelos catequistas. São evangelizadores que possuem um grande salário: saber que Jesus, sua Palavra e sacramentos, são oferecidos a todos. Meditemos sobre a sabedoria divina através da Sagrada Escritura reservada para hoje: Deuteronômio 4 (Primeira Leitura); Tiago 1 (Segunda Leitura); Marcos 7 (Evangelho).
Primeira Leitura — Deuteronômio 4: A parte Deuteronômio onde está leitura foi escrita em Babilônia, durante o período do exílio. Israel perdeu a liberdade, a honra, a terra dos seus pais, o templo onde prestava culto ao seu Deus e recorda, com saudade, os tempos dos reis Davi e Salomão, quando era uma grande nação, respeitada e temida pela sua força e sabedoria.
Agora, ao contrário, está reduzida a grupo insignificante, humilhado e disperso entre nações. Nessa situação, surge entre os exilados um homem piedoso que reanima seus companheiros. Diz que nem tudo está perdido, e que resta grande dom de Deus, dádiva que nos torna preclaros entre todos os povos da Terra: a santa Lei. As palavras pronunciadas por ele são transcritas e, para distingui-las com o alto valor, são atribuídas a Moisés.
Segunda Leitura — Tiago 1: Começa hoje e nos acompanhará por cinco domingos a carta de Tiago, rica de conselhos práticos. A passagem de hoje trata sobre a Palavra de Deus. Inicialmente afirma que os cristãos foram gerados para vida nova ‘pela palavra da verdade’, isto é, pelo evangelho que foi anunciado e que é dádiva que procede do Pai da Luz.
Não é suficiente, porém, ouvir para conseguir a salvação. Para produzir frutos, deve ser ‘acolhida com docilidade’ isto é, com espírito disposto. Se o coração não estiver inclinado a converter-se e deixar-se transformar, será como semente que cai sobre pedra, morre sem nada produzir. É como se nunca tivesse sido ouvida. Tampouco, porém, é suficiente a escuta dócil e atenta: é necessário ‘praticar a Palavra’.
A Palavra de Deus é como espelho no qual o homem enxerga a sua própria pessoa e verifica se sua vida está ou não em conformidade com a imagem de Deus. Tiago esclarece que a verdadeira religião consiste em ‘socorrer os órfãos e as viúvas nas suas aflições e conservar-se puro da corrupção deste mundo’.
Evangelho — Marcos 7: Após meditar cinco domingos sobre o capítulo 6º de João, retomamos o Evangelho de Marcos que nos acompanhará até o fim do ano. A questão de hoje foca elemento central da religião judaica: purificações. Alguns discípulos tomam refeições ‘com mãos impuras’, sem lavá-las e isto provoca a reação dos custódios da lei. A acusação não se refere a normas higiênicas, mas sobre transgressão de preceito ritual que deve ser cumprido depois que a pessoa está limpa e arrumada.
Cada transgressão é tida como infidelidade a Deus e às tradições sagradas. O contexto é o da multiplicação dos pães. Jesus se insere na linha espiritual dos profetas e mestres da vida religiosa de seu tempo, indica renovação do coração e assume posição rígida contra a religião quando reduzida a cumprimento de código jurídico. Afirma categoricamente que para Deus não interessa a pureza exterior, formalismos, solenes liturgias, aparências.
O evangelista relata citação à qual Jesus recorre com freqüência durante violentas diatribes contra promotores do culto a tradições: ‘Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício!’ Ações que contaminam não procedem de fora, mas brotam do íntimo, do coração do homem. A impureza da qual é preciso acautelar-se é só a de ordem moral. O sinal distintivo entre ações boas e ações más está no fato de serem ou não a favor do ser humano.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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