Existem brincadeiras e brinquedos que hoje conhecemos por passar de geração em geração unindo pais e filhos. Possuem várias origens e participaram de várias etapas do desenvolvimento do nosso país. Foram legadas pelos índios, os primeiros moradores de nossa pátria; pelos portugueses que as trouxeram da Europa durante os séculos de colonização; pelos africanos escravizados que aqui chegaram enganados de várias regiões da África; pelos diversos tipos de imigrantes que vieram tentar a vida no Brasil a partir do século XVIII. Hoje, essas brincadeiras fazem parte da cultura do nosso povo, de nosso folclore. Elas devem ser incluídas no lazer das crianças, pois revelam parte da nossa nacionalidade e são muito legais.
Amarelinha
De origem francesa, a amarelinha chegou ao Brasil no século XVIII e rapidamente se tornou popular. A brincadeira consiste em um desenho formado por blocos numerados de 1 a 9, com semicírculos nas extremidades. Numa das extremidades escreve-se a palavra céu. Na outra, inferno. Cada jogador atira uma pedrinha que cai em qualquer dos blocos. Ele deve pular as casas marcadas a giz ou caco de telha no chão, sem pisar no risco, para atingirem o céu.
Ciranda
A ciranda, que é a dança mais famosa do Brasil, foi trazida de Portugal como diversão adulta, mas logo sofreu transformações e passou a alegrar as brincadeiras infantis. É bastante utilizada ainda hoje em escolas, parques e espaços que prezam as brincadeiras antigas, passando-as às novas gerações, mostrando sua importância folclórica e cultural. Há muitas cantigas para cirandar. A mais conhecida diz assim:
“Ciranda, cirandinha/ Vamos todos cirandar/
Vamos dar a meia volta/ Volta e meia vamos dar/
O anel que tu me deste/ Era vidro e se quebrou/
O amor que tu me tinhas/ Era doce e se acabou”
Pipa
Cerca de 1000 anos antes de Cristo a pipa era utilizada como forma de sinalização. Mas ao chegar ao Brasil, trazida pelos portugueses, a pipa se tornou somente uma forma de diversão. Ela voa através da força dos ventos e é controlada por uma corda que permite ao condutor deixá-la cada vez mais alta ou mais baixa. O bonito da pipa é seu voo alto e também as suas cores vivas que variam segundo o gosto de cada criança que a constrói com vareta, papel de seda e muita imaginação. Mas atenção: toda pipa deve ser empinada longe de fios de eletricidade!
Bugalho
Aquela trouxinha de pano, cheia de pedrinhas ou de grãos de milho ou feijão, que jogamos para o alto e apanhamos antes que escape para o chão, já era conhecida do homem que vivia nas cavernas. Foram encontrados por antropólogos registros desenhados deste lazer. Naquele tempo pré-histórico não havia grãos nem tecidos. As crianças e mesmo adultos brincavam com pedaços de ossos que jogavam para cima e rapidamente apanhavam com as mãos. Perde quem deixar o bugalho cair. Os africanos trouxeram esta brincadeira ao Brasil e até hoje ela é muito apreciada pelas crianças que costumam costurar arroz, feijão ou pedrinhas dentro de saquinhos de pano.
Bola de gude
O jogo também é conhecido pelos nomes: bila, biloca, bilosca, birosca, bolinha-de-gude, bolita, boleba, bolega, bute... A origem exata dos jogos com bolas de gude não é clara, mas os relatos e registros históricos sugerem que o hábito é muito antigo. As primeiras notícias são do ano 3.000 a.C.: bolinhas foram encontradas em túmulos egípcios dessa época. Uma das brincadeiras mais popularizadas (o jogo de bolinhas praticado nas histórias da Turma da Mônica) consiste em um círculo desenhado no chão, onde os jogadores devem, com um impulso do polegar, jogar a bolinha. Os jogadores seguintes devem acertar a bolinha, e se conseguirem retirá-la do círculo, elas se tornam suas. Vence aquele que ficar com as bolinhas de seus companheiros.
Peteca
Os índios que viviam no Brasil antes do período do descobrimento, utilizavam para se divertirem uma trouxa feita com folhas e cheia de pedras que eram amarradas numa espiga de milho. Brincavam de jogar esta trouxa de um lado para outro. Chamavam-na de Pe’teka, que em tupi significa bater. Até hoje brincamos de peteca, que agora é feita com material sintético e mais leve que na sua origem.
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