Escolher a Cristo


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A quarta semana de agosto nos faz refletir sobre a vocação para os ministérios e serviços na comunidade. Os fiéis batizados são chamados a viver a vida cristã como testemunho no meio do mundo. Somos alimentados pela Palavra de Deus: Josué 23 (Primeira Leitura), Efésios 6 (Segunda Leitura), João 6 (Evangelho).
 
Primeira Leitura — Josué 24: O capítulo do Livro de Josué narra um episódio definitivo na história religiosa de Israel: a assembléia de Siquém. Moisés morreu e o governo do povo passou para as mãos de um outro líder experiente: Josué. Depois de ter conquistado todo o país, este, certo dia, reúne todas as tribos em Siquém para saber exatamente a que deus eles querem servir. Ele exige uma resposta clara, definitiva.
Ao entrar na terra prometida os israelitas conheceram outros povos que evidentemente adoravam seus próprios deuses. Não são, porém, somente os deuses das nações que habitam em Canaã que se constituem como tentações para os israelitas, há também aquelas divindades que os seus antepassados adoraram quando ainda se achavam no Oriente, antes de conhecer Javé. Josué exige que o povo escolha. O povo responde sem hesitação: ‘Longe de nós abandonarmos o Senhor para servir a outros deuses’.
Nós também, ao sairmos das águas do batismo professamos solenemente a nossa fé. Esta escolha, porém, não foi feita uma vez por todas. Deve ser atualizada permanentemente, porque as circunstâncias mudam e cada nova situação nos propõe novamente o ‘Crês no Cristo Senhor?’
 
Segunda leitura — Efésios 6: A última parte da Carta aos Efésios é dedicada a problemas que dizem respeito à família. Pensemos como surgem divergências, discórdias, brigas nas nossas famílias. Todos exigem ser servidos, todos querem se impor, todos querem mandar e ser obedecidos.  
O trecho trata das relações marido-mulher e começa estabelecendo princípio fundamental que deve presidir todas as atitudes dos membros de uma família cristã: ‘Sede submissos uns aos outros no temor de Cristo’. 
Nenhum domínio sobre os outros, mas submissão e disponibilidade para servir a todos. O exemplo proposto é o de Cristo, que veio não para ser servido, mas para servir. 
 
Evangelho — João 6: Estamos chegando ao fim do discurso sobre o pão da vida. Afirma encarnar o projeto de Deus, exige que se acredite nele, que suas escolhas sejam compartilhadas, que haja identificação com ele através do gesto sacramental de comer o pão eucarístico. De maneira surpreendente introduz-se novos ouvintes: não mais judeus, mas os discípulos. A constatação é amarga: muitos deles, que viram o milagre e ouviram o discurso não aceitam a proposta de Jesus. Crer ou não crer nele, esta é a alternativa. A proposta pode ser aceita ou rejeitada, mas não ‘negociada’ ou facilitada mediante supressão de exigências. Todos nós, hoje, diante do pão eucarístico, também devemos decidir sobre quem queremos seguir. Quem come o pão eucarístico sabe bem qual é o compromisso que assume: concorda com tudo o que Jesus ensinou e aceita identificar sua vida com a dele.
Não obstante as dificuldades de seus ouvintes, Jesus não retira uma só de suas exigências. O resultado é particularmente desanimador: ‘Desde então muitos dos seus discípulos se retiraram e não andavam com ele’. A fé se baseia em provas definitivas e irrefutáveis, mas é adesão amorosa a uma proposta. Não deve causar surpresa se essa adesão inclua dúvidas e perplexidade, e que muitos permaneçam ainda hesitantes. Diante da pergunta do Mestre — ‘Quereis vós também retirar-vos?’ —, Pedro, falando no plural, expressa a fé de todos: ‘Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna’.
 
 
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
 
 

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