Manifestações no Brasil


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Manifestações populares que sistematicamente vêm ocorrendo no Brasil desde 2013, nos parece que ainda não conseguiram fazer com que as cúpulas o governo federal e do Partido dos Trabalhadores tenham a humildade de reconhecer que estão trilhando caminhos errados e, por conseqüência, levando nosso país a retroceder décadas de duras conquistas.
 
Em 2013 o governo conseguiu através de propaganda e discursos com dados ‘duvidosos’ reverter a atuação, principalmente ao iludir eleitores menos esclarecidos que, infelizmente aceitaram números fictícios e mentirosos divulgados durante a campanha eleitoral. Ainda acredita que, igualmente, poderá reverter a situação agora. Ledo engano! Agora os próprios eleitores da presidente Dilma se rebelam contra o verdadeiro ‘estelionato eleitoral’ praticado contra os cidadãos que acreditaram em suas promessas eleitorais.
 
E a defesa que ouvimos da senhora presidente, sempre é a mesma, dizendo que os derrotados nas eleições não aceitaram o resultado das urnas. Senhora presidente, com todo respeito, a discussão não é mais sobre as eleições, mas sim sobre a forma da condução do nosso país. A questão é que as mentiras afirmadas nas eleições não conseguiram se sustentar nem por 60 dias após o início do segundo mandato presidencial. O povo, mesmo os cidadãos mais simples e leigos, perceberam que foram enganados por pessoas que visavam somente o poder e seus projetos individuais (partidários e pessoais) e o coletivo foi colocado em segundo plano.
 
As manifestações devem ser motivo de reflexão para todos os poderes, mas principalmente o poder Executivo, seja federal, estadual ou municipal. Deve se desencastelar, através de partidos políticos que efetivamente procure lideranças positivas capacitadas e não ‘baderneiros profissionais’ que se encostam a governos populistas e passam a sobreviver de recursos públicos que, na maioria das vezes, sequer prestam contas de modo transparente. O pior é que ainda têm a ousadia de se auto determinarem ‘exércitos’ e, publicamente, pregar a violência através de armas, no intuito de manterem suas benesses governistas.
 
Senhora presidente, para nós, quando um governo é eleito com todos os trâmites e preceitos constitucionais democráticos, deve ser respeitado por todos os cidadãos, mas se por fatos posteriores que contradizem as suas promessas eleitorais e condutas antiéticas para com o patrimônio público, perde a confiança antes depositada, deve reverter suas posições e ter a humildade para poder admitir claramente seus erros e demonstrar vontade de mudar os rumos da administração a fim de colocar o país em rota de crescimento, mesmo que para isso tenha que cortar ministérios e os respectivos cargos de confiança na estrutura administrativa, cortar gastos publicitários, cortar gastos com programas desnecessários, cortar financiamentos do BNDES (dinheiro público) para obras em outros países etc,. Enfim, corrigir aquilo que deve ser objeto de conserto.
 
O direito de se manifestar é de todos, sem distinção. Infelizmente os que são partidários do governo sempre tentam desvalorizar os atos públicos, alegando que se trata de uma ‘elite branca’. Obviamente, não é a verdade. Todos têm os mesmos direitos de reclamar, se manifestar e protestar livremente. Tentar invalidar um protesto de alguém pela sua cor chega a ser racismo e é extremamente desonesto olhar pra uma manifestação e dizer que só têm ricos ali. Se assim fosse, ninguém reclamaria do governo. Afinal, seríamos milhões de ricos no Brasil.
 
A verdade é que domingo foi dia histórico para o Brasil. Centenas de milhares de cidadãos vestidos de verde e amarelo com cartazes, foram às ruas mostrar o descontentamento com o atual governo. O povo está insatisfeito. Não adianta usar a retórica populista para tentar desqualificar a vontade popular.
 
 
Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br
 

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