Hoje, Dia dos Pais, começa a Semana Nacional da Família. Viver em família é uma vocação. Deus continua sempre nos falando. Vejamos seus ensinamentos contidos nas Sagradas Leituras reservadas para hoje: 1º Livro dos Reis 19 (Primeira Leitura), Efésios 4 (Segunda Leitura), João 6 (Evangelho).
Primeira leitura — 1º Livro dos Reis 19: Para quem não aconteceu alguma vez sentir-se desanimado a ponto de gritar um ‘basta, não aguento mais’? Também com o profeta Elias, ocorreu. Foi tão grande seu desespero, que pediu a morte.
Estamos em Israel no tempo do rei Acab. Há prosperidade no comércio, constróem-se cidades e palácios, mas também há injustiças sociais, exploração dos pobres, corrupção religiosa e imoral. A rainha Jezabel exige que se abandone o culto de Javé e que se adore Baal, que comanda o ciclo das chuvas e dá fecundidade a campos e animais. Eís que entra em cena um homem destemido que se opor-se à rainha. É Elias, o profeta. Suas denúncias queimam como fogo. Ele ameaça, opera milagres, invoca castigos do céu, faz com que por três anos não chova sobre a terra, mas a certo ponto não aguenta mais e se entrega.
O que resta? Sente que para fortalecer sua fé, não ceder a lisonjas de Acab e às ameaças da rainha, deve repetir a experiência espiritual de Moisés. O deserto que Elias deve atravessar é a imagem da caminhada da nossa vida. Deus não abandona o seu profeta. A experiência de Elias é semelhante à nossa. Os 40 dias da sua viagem representam nossa vida. Nós também passamos pela experiência da caminhada no deserto: sentimos a fome (de pão, mas também de justiça), a sede (de água, mas também de amor e de compreensão).
Segunda leitura — Efésios 4: Antigamente, escravos recebiam na pele, marca com ferro em brasa, como se faz com o gado. Marcava-se, assim, quem pertencia para sempre a um determinado senhor. Paulo se serve da figura para explicar a condição do cristão. No batismo — diz ele — recebe-se na carne um selo, não gravado a fogo, mas impresso pelo Espírito Santo tornando a pessoa integralmente de Deus.
As consequências morais que disso derivam são expressas antes em forma negativa: vícios catalogados são seis e todos estão relacionados com a língua; e, depois de forma positiva; série de virtude que devem ser praticadas. Os cristãos, portanto, devem controlar suas palavras, comportarem-se de forma cordial, afável e, sobretudo inspirado em sentimentos de misericórdia.
Evangelho — João 6: O evangelho de domingo passado terminou com Jesus se apresentando como ‘o pão descido do céu’. Hoje, vemos a reação dos judeus. Murmuravam e perguntavam; não é ele Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz que desceu do céu? Murmurar significa contestar. A descoberta de Jesus pão do céu é dom gratuito de Deus. A todos Deus concede conhecê-lo: ‘Todos serão ensinados por Deus’, garante Jesus. Também a descoberta de Deus pela contemplação da criação é forma para chegar a ele. Todas as manifestações de Deus constituem um dom imenso.
Nem todos, porém, acolhem com alegria e gratidão. As posições tomadas diante de Cristo são diferentes: passa-se da acolhida à indiferença, à oposição raivosa. Então, resta perguntar a nós mesmos: deixamo-nos iluminar pela Palavra de Deus, ou recusamos o ‘pão do céu’ e continuamos aferrados a nossas ideias e imagens deformadas que temos de Deus? O maná que os israelitas comeram no deserto não lhes comunicou vida plena e definitiva: todos morreram. Só quem come o pão descido do céu vive para sempre.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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