O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre vocações. A primeira semana trata da vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. Vamos ao que Deus nos fala através da sua Palavra: Êxodo 16 (Primeira Leitura), Efésios 4 (Segunda Leitura), João 6 (Evangelho
Primeira Leitura — Êxodo 16: Começa com murmurações do povo. Depois do entusiasmo pela liberdade conquistada, sente saudade do Egito: era escravo mas tinha comida em abundância. É também a experiência de cada cristão. Depois da alegria da conversão e da decisão de seguir a lógica do evangelho, bate saudade da vida antiga. Diante das queixas, Deus não castiga. Responde enviando o maná. É natural que na vida do cristão também haja desânimo; que passe pela mente a ideia de voltar a práticas pagãs mas Deus não se irrita com nossas fraquezas. Não só não nos castiga por nossas hesitações, mas se aproxima mais e mostra, como fez com Israel, novas provas de seu amor. Nós também temos muita ‘fome’, fome de pão mas também de liberdade, amor, paz, fraternidade, respeito, estima, felicidade. Temos a convicção que essa fome só pode ser saciada ‘por toda a palavra que sai da boca de Deus’.
A última parte do trecho nos diz que o maná não foi um dom de Moisés para o povo, mas foi o Senhor que proporcionou a Israel o alimento. Ninguém, hoje, pode considerar-se um ‘salvador’. Mesmo o homem mais comprometido no serviço em favor dos outros continua sendo um humilde beneficiário, junto com os outros irmãos, da salvação que vem do céu.
Segunda leitura — Efésios 4: Os cristãos, ensina Paulo, continuam sempre sujeitos à tentação de voltar a seus costumes pagãos, aos quais renunciaram pelo batismo, mas devem sempre se lembrar que se tornaram uma nova criatura. Para dar mais ênfase a essa exortação, ele se serve da imagem do homem velho e do homem novo: o homem velho representa a vida de pecado, dissolução, avidez e baixezas de quem se deixa seduzir por paixões enganadoras. O homem novo, ao contrário, representa a criatura nascida da água do batismo, completamente transformada em seu comportamento moral.
Evangelho — João 6: Depois da multiplicação dos pães, a multidão quer proclamar Jesus como rei. Para Ele, porém, é derrota: não entenderam ‘o sinal’. Não o procura para escutar sua palavra deixando penetrar fundo a mensagem, mas porque comeu pão em abundância, de graça, e espera ter pão garantido, sem precisar trabalhar. O Mestre vai direto ao ponto: ‘Não procureis pelo alimento que perece, mas pelo que dura até a vida eterna’. Quer que os discípulos entendam que ele não veio para transformar pedras em pães, mas para ensinar que amor e partilha produzem pão em abundância.
O que fazer para não alimentar dentro de nós expectativas errôneas? A resposta está na segunda parte do evangelho. ‘Esta é a obra de Deus; acreditar naquele que ele mandou’. O que quer dizer acreditar? Não é suficiente saber com certeza que Jesus existiu, que foi homem sábio que pregou o amor. Nestas coisas acreditam também os ateus. A fé em Cristo não se reduz a raciocínios. Pressupõe escolha de unir a própria vida com a dele na doação de si aos irmãos. Jesus exige confiança sem condições. O que é pão do céu? Por que Jesus não o distribui logo e a todos? Ele esclarece: ‘Eu sou o pão da vida: quem vem a mim não terá mais fome, quem crê em mim não terá mais sede’. O único pão que sacia a necessidade de felicidade e de paz é a palavra de Cristo, o seu evangelho, não o maná do deserto.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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