A Palavra de Deus, neste domingo, nos ensina que somente através da ‘caridade’ é que revelamos se temos, ou não, a vida guiada por Deus. Vamos às leituras sagradas reservadas para hoje: IIº Livro dos Reis 4 (Primeira Leitura), Efésios 4 (Segunda Leitura), João 6 (Evangelho).
Primeira Leitura — IIº Livro dos Reis 4: Em Israel o povo comia uma vez por dia, depois do pôr-do-sol. Qual era o sonho dos ‘pobres da terra’ de Israel? Ter comida em abundância!
As leituras falam desse contexto. Esta primeira descreve o gesto de homem de Baalsalisa que, durante carestia provocada por escassez de chuvas, oferece a Eliseu 20 pães de cevada. O profeta não guarda para si. Convida o homem a distribuir para 100 pessoas, dizendo: ‘todos comerão e ainda sobrará’.
Esta ‘multiplicação dos pães’ é uma das inúmeras narrativas de milagres operados por Eliseu. Em nome de Javé ele multiplica vasos de óleo de uma viúva, comunicou poder de gerar a mulher estéril, curou leproso, e até mesmo ressuscitou um morto. O autor narra para que o israelita compreenda que a vida do homem depende de Javé, não de Baal, deus dos cananeus. Ensina que Deus não multiplica pães do nada. Antes está o gesto generoso do homem que ofereceu o fruto de seu trabalho, e se completa na decisão de Eliseu em partilhar o dom recebido.
Segunda leitura — Efésios 4: Nos primeiros versículos são apresentadas características da nova vida dos batizados. São estimulados a serem ‘humildes’. Devem também comportar-se ‘com mansidão e paciência, suportando-se mutuamente com caridade. Na segunda parte, desenvolve-se o tema da unidade e são apresentados sete motivos pelos quais ela deve reinar entre os cristãos: ‘um só corpo, um só espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só deus Pai de todos’. Não quer dizer que todos devam ser iguais e que não possa haver diferentes maneiras de pensar ou agir. A diversidade, porém, não deve levar à inveja e à competição, mas à ajuda, à colaboração.
Evangelho — João 6: Entre os milagres de Jesus nenhum é narrado tantas vezes como o da multiplicação dos pães. O paralelismo entre esse multiplicação e os acontecimentos do êxodo é tão importante que João o evidencia com cuidado. Estabelece em pormenores: Jesus, como Moisés, atravessa o mar; como Moisés, é acompanhado por grande multidão; como Moisés, conquista confiança realizando grande sinais.
Essas evocações têm o objetivo de apresentar Jesus como novo Moisés, o que dá início a êxodo novo, a passagem da escravidão para a liberdade. A meta da viagem de Moisés é a terra prometida, a de Jesus é o Reino de Deus. O pão oferecido é de cevada, alimento dos pobres. Ricos comiam pão de trigo. Os convidados ao banquete do Reino são pobres que alimentam sonho concreto: ter alimentação suficiente.
Quando terá início o mundo de pão para todos? À necessidade de comida Jesus responde operando milagre, convite à fraternidade, renúncia a possuir e guardar para si. João é o único evangelista a observar que quem pôs à disposição de todos o pouco alimento que tinha era um menino. O valor simbólico é evidente: em várias passagens do evangelho a criança é apontada como modelo ao discípulo. A mesa sobre a qual é servido o banquete é original. Jesus convida a multidão a sentar-se na relva do prado: ‘havia muita relva naquele lugar’. Se Jesus fez descansar as suas ovelhas ‘na relva viçosa’, quer dizer que os tempos se cumpriram e os homens são convidados a participar do banquete do Reino.
Monsenhor José Geraldo Segantin
pároco da Catedral, vigário geral - segantin@comerciodafranca.com.br
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